
CELSO MAURO PACIORNIK
Celso Mauro Paciornik, paulistano por direito auto-concedido desde 1971, é na verdade paranaense de Curitiba, com passagem de alguns anos da primeira infância em Jacarezinho. Suas andançs incluem um breve tempo em Salvador.
Nascido em 1º de janeiro de 1946, é representante mais que legítimo da pequena parcela de sua geração que, ao dar-se conta de sua presença no mundo, adotou como lemas fundamentais romper e transformar.
Em seu caso, essas máximas foram racionalmente movidas pela indignação com a prepotência, o espírito oportunista, o servilismo, a miséria e a bandalheira à brasileira - indignação, aliás, à qual mantém fidelidade permanente. E foram impulsionadas também pelo humaníssimo desejo de fazer tudo diferente - diferente de quem veio antes e de quem expressava o abominável status-quo.
Determinação de romper e transformar que o levou às infindáveis noites boêmias de cantoria e declamação pelas ruas de Curitiba, às atividades no teatro universitário, às andanças por bares e sinucas, cercado pelos amigos nos anos ainda amenos de 65 a 68, mas também à ação política mais direcionada e subterrânea, entrando pelos anos sombrios e perigosos inaugurados em 69.
Houve a prisão, em 17 de dezembro de 1968, quatro dias depois do AI-5, quando se tentava reorganizar regionalmente o congresso da UNE depois da polícia desbaratar o grande congresso de Ibiúna. Houve a condenação a um ano e meio de prisão cumprida com outros 20 presos políticos, na Penitenciária do Ahu, em Curitiba, e a convivência com "gatos" (ladrões comuns) e "jurões" (sentenciados por juri crimes de homicídio).
Celso, no entanto, teve tempo também para tentar preparar seu futuro profissional. Estudou Engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o famoso ITA, nos anos 64 e 65. Abandonou este curto e iniciou estudos de arquitetura em 1966, em Curitiba. A prisão interrompeu definitivamente a projetada carreira de arquiteto.
A política continuou prevalecendo depois da prisão. Na militância clandestina nos primeiros anos da década de 70 e mais à luz, nos anos da "Abertura" quando passou a colaborar com a organização do emergente movimento sindical, assessorando organizações de trabalhadores e ajudando na criação da CUT.
No final dos anos 80, profissionalizou o que há quase 20 já o ajudava a sobreviver: o trabalho de tradutor, hoje atualmente como tradutor fixo no jornal Valor Econômico, depois de muitos anos exercendo a atividade na Gazeta Mercantil.
Quanto à poesia, é fruto de íntima necessidade, jamais desdenhada e a irromper possante por entre todas as sufocantes tarefas de cada tempo desde a adolescência. A poesia em Celso é meio de ser e expressar-se refinadamente. Tão intrínseca a ele quanto o humor corrosivo e a gargalhada aberta, a generosidade, a reserva com os outros e a fé no homem, temperada por profundo ceticismo.
INVERSOS TEMPOS