KATE CHOPIN


Katherine O'Flaherty Chopin nasceu no dia 8 de feveriro de 1851 em St. Louis. O pai, próspero comerciante e corretor de algodão, viera da Irlanda aos 20 anos. A mãe descendia dos primeiros franceses a colonizarem a região. Criada em meio ao puritanismo religioso e no seio de uma família de confederados, sofrera aos quatro anos a morte do pai em acidente de trem na viagem inaugural de uma linha da qual era um dos fundadores.

Seu casamento com Oscar Chopin em 1870 a levou à mais mundana e cosmopolitana Nova Orleans. Em todos seus escritos transparece como estranha e simultaneamente era fascinada pelo calor humano, sensualidade, franqueza e falta de recato, de decoro até, dos creoles e dos cajuns, os descendentes de franceses da Lousiana e do delta do Mississipi, que viriam a ser, ao lado do direito da mulher a se afirmar como pessoa, o grande tema de sua obra. A ponto de durante muito tempo chamar mais a atenção enquanto escritora do "local color" e do regionalismo sulista do que como premonitora do feminismo.

Grande leitora dos franceses, a influência de Maupassant é manifesta nas short stories, bem como a de Flaubert em O Despertar, com os críticos não se cansando de traçar paralelismo entre Edna Pontellier e Emma Bovary.

Oscar Chopin morreu de febre tifóide em 1882. Incapaz de administrar as parcas terras deixadas pelo marido e cuidar dos seis filhos, Kate Chopin retornara à casa da mãe em St. Louis e, encorajada por amigos, começou a escrever em 1889, inclusive para melhorar sua situação financeira. Sem a morte do marido, provavelmente Kate Chopin nunca viesse a escrever. Publicou, a partir de 1889, mais de 100 contos, poemas e textos diversos em várias publicações de circulação nacional como Vogue, Atlantic Monthly e Century. Seu primeiro romance At fault (1890) não teve grande acolhida, e ela voltaria aos contos e aos sketches, com duas coletâneas de grande sucesso: Bayou Folk (1894) e A Night in Acadie (1897), para retornar ao romance com O Despertar (The Awakening) em 1899. Sucumbindo às críticas por obscenidade e morbidez da imprensa local (apenas um jornal realçaria a maestria do romance), vendo seu livro ser retirado das livrarias de St. Louis, excluída da vida social de sua cidade e já com a saúde abalada, Kate Chopin só escreveria mais cinco ou seis histórias curtas até sua morte após um derrame cerebral durante uma visita à Feira Mundial de St. Louis, em 22 de agosto de 1904.

Seria redescoberta e intensamente publicada a partir dos anos sessentas, figurando em inúmeras antologias americanas e estrangeiras de contos, enquanto O Despertar virava objeto de culto.

O DESPERTAR