
JUN'ICHIRO TANIZAKI
JUN’ICHIRO TANIZAKI (1886-1965) nasceu e estudou em Tóquio, até ser expulso do departamento de literatura da Universidade Imperial por inadimplência. Começou a escrever romances desde cedo, participando da escola Tanbiha, que valorizava a “arte e beleza acima de tudo”, indo contra o naturalismo científico e o objetivismo da época, além de defender a língua e cultura tradicionais do Japão. O universo de Tanizaki é intimista e centrado na sensualidade e no relacionamento físico entre as pessoas, e a infidelidade, fetichismo, tendências sádicas e voyeurismo não coíbem os personagens de realizar seus anseios. Em suas obras, os modelos de relacionamento apresentados mostram ora o homem apaixonado e devotado que extrai prazer por sofrer nas mãos de uma mulher, ora triângulos amorosos entre um casal e uma terceira pessoa.
Ao contrário de outros romancistas japoneses de sua geração, Tanizaki jamais viajou ao Ocidente e não tinha influência do cristianismo e suas normas morais. Assim, em seus livros nada há da oposição cristã entre corpo e alma, a carne não é pecaminosa e as aberrações sexuais não são obras do diabo – conceito este desconhecido do universo budista.
Com essas características, a conquista de Tanizaki está justamente em descrever as diversas variações do amor sexual isolado da sociedade, de uma forma mais completa que qualquer outro escritor de seu país. Dentre suas obras principais encontram-se Naomi (1924; Brasiliense, 1986), Voragem (1928; Companhia das Letras, 2001), Narrativas de um cego (1931), As irmãs Makioka, considerada sua obra-prima (1946; a ser lançado pela Estação Liberdade em 2003), A chave (1956; Companhia das Letras, 2000) e Diário de um velho louco (1962).
DIARIO DE UM VELHO LOUCO
AS IRMÃS MAKIOKA