31 de julho de 2006


O furor de narrar
por Luiz Antônio Giron

Yasunari Kawabata trabalhou para derrubar a imagem banal de um Japão de samurais, gueixas e cerejeiras. Armou tramas cheias de furor sexual, morte e fantasia, tudo narrado num estilo pungente que vai direto ao ponto. Esses traços típicos do neo-sensorialismo (shinkankakuha), estética fundada pelo autor, renderam-lhe um Nobel. Sua obra vem sendo traduzida do japonês pela Editora Estação Liberdade. Nesta semana, chegam às livrarias dois romances, KYOTO (1960), com tradução de Meiko Shimon, e MIL TSURUS (1956), tradução de Drik Sada. O primeiro retrata o encontro de duas gêmeas separadas no nascimento na antiga capital do Japão, amargando a decadência nos anos 50. O segundo aborda a paixão do jovem Kikuji pela ex-amante do pai. É o quadro seco da devastação física e moral do Pós-Guerra. Kawabata é um gênio que só agora os leitores estão conhecendo por inteiro.