Estação Liberdade: baldeação para o melhor da literatura

Propomos colocar a safra de novas publicações da Estação Liberdade sob a égide de encruzilhadas e de escolhas difíceis. Afinal, é disso que trata a boa literatura. Destinos truncados em suas diversas formas não faltam nos autores e nos livros que ocupam nossas horas editoriais.

Alguns exemplos:

Do renomado historiador Jacques Le Goff, o majestoso Homens e mulheres da Idade Média retraça o fecundo painel da época de rupturas que gerou os alicerces do mundo tal qual o entendemos hoje no Ocidente.

Com Hotel Savoy e A lenda do santo beberrão, de Joseph Roth, abordamos um escritor cosmopolita por essência e golpeado diversas vezes pela sorte, vivendo aos solavancos em meio à derrocada do Império Austro-Húngaro e com a Revolução Russa se avizinhando a leste para se reencontrar, trôpego, às margens do rio Sena em Paris.

Do arquiteto e artista plástico El Lissitzky, outro personagem fascinante do entreguerras europeu e filho rejeitado dos primórdios soviéticos, trazemos na coleção Estúdio Aberto uma pauta programática dessa difícil utopia.

Christa Wolf, com seu Medeia, de escritura límpida e lapidada, tão criticada que foi por defender num novo deserto ideológico ideais dessa mesma utopia que ninguém mais se dava o trabalho de enxergar, mergulha na mitologia grega para reafirmar, pela voz da mulher de Jasão, a condição feminina de hoje.

Nossos autores Atiq Rahimi, Rachid Boudjedra, Rafik Schami, Gamal Ghitany se debruçam com talentos múltiplos sobre a complexidade dos universos muçulmano e árabe. Rahimi é afegão, Boudjedra é argelino, Schami é sírio, Ghitany é egípcio – como não pensar que os dramas atuais em seus países afetam suas obras literárias e suas vidas pessoais?

O chinês Chen Zhongshi, com seu excepcional No país do cervo branco, nos conduz a fugir de clichês que truncam nossa percepção da gigantesca nação de cultura milenar, enquanto o genial José Lezama Lima, com Paradiso, a obra máxima do barroco latino-americano, nos faz refletir sobre o duro exílio do escritor no mundo paralelo que edifica para si mesmo.

De forma geral, perseveramos em todas as nossas áreas de atuação tradicionais, dos clássicos da literatura à filosofia e à história, dos infantis à arquitetura e outras artes, da tão rica literatura japonesa a um mergulho consistente nas literaturas de língua alemã. Enfim, o que nos move é poder apresentar a nosso público autores e obras de todos os cantos do planeta.

Os editores