O projeto Psicanálise entrevista, organizado pelas psicanalistas Mara Selaibe e Andréa Carvalho, chega a seu segundo volume, com outras entrevistas reveladoras envolvendo nomes referenciais da psicanálise mundial. Publicadas originalmente pela revista Percurso, editada há 25 anos pelo Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, elas compilam um material privilegiado sobre o pensamento psicanalítico contemporâneo, ao apresentarem ao leitor variações de abordagens sobre questões decisivas ao exercício da psicanálise e a indagações acerca dos tempos em que vivemos. Neste volume, destacam-se as correlações do pensamento teórico-metodológico e teórico-clínico de alguns dos analistas entrevistados com a obra de Jacques Lacan, bem como vozes psicanalíticas egressas de outras paragens, que contemplam questões heterogêneas e atemporais sempre oportunas dentro do contexto psicanalítico. Do caldo das entrevistas, depreendemos que é sempre a prática clínica que põe a psicanálise em sua permanente evolução. Como bem observam as organizadoras no texto de apresentação, o fazer psicanalítico seria um “meio híbrido irrequieto no qual os movimentos das pulsões buscam formas capazes de dar conta da transformação das vivências brutas em experiências expressivas, onde o processo incessante de subjetivar possa extrair força da matéria intensiva e receber acolhida mais ou menos possível para a vida seguir”. Os entrevistados do segundo volume são: Maud Mannoni, Bernard Penot, Anne Alvarez, Christopher Bollas, Luis Hornstein, Elisabeth Roudinesco, Jean-Jacques Rassial, Juan-David Nasio, Luís Carlos Menezes, Maria Rita Kehl, Maria Cristina Kupfer, Miriam Chnaiderman, Madre Cristina e Zygmunt Bauman. Além deles, a edição inclui outros quatro listados a seguir que, por seu destaque e pela abrangência de seus trabalhos, integram o volume I e reaparecem no volume II em novas entrevistas: Radmila Zygouris, Jean Laplanche, Monique Schneider e Chaim Samuel Katz. Todos eles contribuem para fazer de Psicanálise entrevista uma constelação de ideias e proposições que esmiúçam temas como a formação do psicanalista, o exercício e os desafios do ofício, as teorias e as ultrapassagens das divisões em escolas psicanalíticas, a pesquisa na área, bem como aspectos políticos e sociais relevantes ao pensamento psicanalítico. Jô Gondar, que assina o posfácio à edição, analisa entre outros aspectos a noção de “memória viva”, exaltando ainda a maneira como alguns dos entrevistados se debruçam sobre detalhes do relacionamento entre analista e analisando. Cada entrevista que integra o livro traz ainda uma breve introdução feita por outros psicanalistas ou psicólogos de destaque, que contextualizam a posição e a relevância dos entrevistados em suas trajetórias na área.