Lançamento: A balada do cálamo, de Atiq Rahimi

Pré-venda e eventos de lançamento: A BALADA DO CÁLAMO, de Atiq Rahimi

O escritor e cineasta Atiq Rahimi, ganhador do Goncourt e premiado em Cannes, participará de eventos de lançamento de seu novo livro no Rio de Janeiro e em São Paulo

Leia entrevista com o autor publicada no jornal O GLOBO em 5 de junho

Em A balada do cálamo, Atiq Rahimi narra seu amadurecimento literário no exílio
Na prosa lírica de A balada do cálamo, o autor e diretor franco-afegão Atiq Rahimi procura dar forma à experiência traumática do exílio, ao mesmo tempo em que relembra sua história de vida e a autodescoberta como artista. Oscilando entre o presente em Paris e o passado errante, o livro mescla memórias a reflexões artísticas, iluminadas por caligrafias e calimorfias (letras antropoformes) do autor.
A história de Atiq se desenrola em três palcos principais: a Cabul da infância, onde aprendeu a grafar o alfabeto persa com seu cálamo e vivenciou a prisão e a tortura de seu pai. De lá, a primeira fuga foi para a Índia, cuja rica e sensual cultura causou uma revolução interna no adolescente afegão.
Por fim, a França, onde recebeu asilo cultural em 1984 e construiu uma carreira premiada como cineasta e romancista, marcada também por traços autobiográficos — Terra e cinzas ecoa a experiência de sua família na guerra civil dos anos 1980 no Afeganistão; Syngué sabour foi inspirado pelo assassinato da amiga poeta afegã Nadia Anjuman pelo marido.
Esta balada (nome dado a canções narrativas na Idade Média e que em francês significa também passeio) visita estes lugares e tempos reais, mas está centrada no não-lugar do exílio e da lembrança. Em seu autorretrato íntimo, o autor rodopia pelos temas da escrita, do desejo e da guerra, costurando-os com suratas do Alcorão e a poesia sufi, meditações embaladas pelos textos védicos, e diálogos com a arte e a literatura francesa.


Título: A balada do cálamo
Autor: Atiq Rahimi
Tradução: Leila de Aguiar Costa
Gênero: Memórias/Prosa/Poesia/Caligrafias
Formato: 14 x 19 cm / 200 páginas
ISBN: 978-85-7448-272-9
Preço: R$ 42,00


EVENTOS DE LANÇAMENTO COM A PRESENÇA DO AUTOR

 
Rio de Janeiro: Palestra “Na dobra da língua: nostalgia, errância, guerra e liberdade”, parte do ciclo A palavra fora do lugar
13 de junho, quarta-feira, às 17h (lançamento e sessão de autógrafos). Palestra: 19h
Local: Centro Cultural Banco do Brasil — Rua Primeiro de Março, 66. Centro.
Livraria da Travessa e auditório (4º andar).

São Paulo: Palestra: “O exílio e a emancipação pela escrita e pelo cinema” e sessão de autógrafos
14 de junho, quinta-feira, a partir das 19h
Local: Livraria da Vila — Rua Fradique Coutinho, 915. Vila Madalena.

SOBRE O AUTOR

    Atiq Rahimi é um autor e cineasta nascido em 1962, em Cabul. Frequentou a escola
    franco-afegã Esteqlal e estudou letras na universidade da capital afegã. Em 1984,
    durante a guerra, deixou o país rumo ao Paquistão. Obteve asilo político na França,
    onde realizou doutorado em comunicação audiovisual na Sorbonne. Publicou Terra e
    cinzas
e As mil casas do sonho e do terror, escritos em persa e posteriormente vertidos
    por ele para o francês. Sua primeira obra literária escrita em francês, Syngué sabour
    Pedra-de-paciência, foi publicada em trinta países e venceu o prêmio Goncourt em 2008.
    Seu romance mais recente é Maldito seja Dostoiévski, de 2011. Destas obras, todas publicadas
    pela Estação Liberdade, Terra e cinzas e Syngué sabour foram adaptadas para o cinema em
    direção do próprio autor. Em 2009, Atiq esteve no Brasil como convidado da FLIP. Atualmente,
    vive e trabalha em Paris
.

REPERCUSSÃO

“Pois, uma vez seco e talhado, o caule se torna o cálamo, palavra de origem latina, que é embebido em tinta ou giz líquido e com o qual o exilado, assim como o místico e os amantes, testifica sua aflição. [...] É o cálamo, pelo qual passa o sopro da escrita, que Atiq Rahimi escolheu para expressar sua separação do Afeganistão e de sua falecida mãe.“
Jean-Pierre Perin, Libération

“[No livro] o corpo está por toda parte. Corpos migrantes, corpos sexuais, corpos espirituais, enquanto as palavras questionam a encarnação e a matéria.”
Nils C. Ahl, Le Monde Des Livres

“O escritor, que é também artista e desenhista, e, como dito, cineasta, percebeu que sua verdadeira pátria é o verbo, a letra, as palavras, a língua em que ele escreve, e também a caligrafia persa à qual ele retornou, que ele usa para dedicar seus livros e ornamentar este.”
Jean-Claude Perrier, Livres Hebdo

PALAVRA DO EDITOR

Atiq Rahimi nos contemplou nos últimos anos com uma prosa densa, sutil e sagaz, enveredando pelas agruras do exílio, quando deixou o Afeganistão a pé sob a neve há três décadas. No exílio, literatura pode significar redenção e emancipação, e no caso é o que temos visto. Desde o grito de dor surda contido em Terra e cinzas, ao berro de angústia que dilacera a condição feminina em Syngué sabour – Pedrade-paciência, Atiq se debruçou com poesia e grande savoir-faire narrativo em temas de suma importância para a condição humana: embates ideológicos e seu corolário de guerras civis, a implosão da família e da comunidade, o desterro, a dor da separação, o deslocamento de toda referência. Uma experiência de rasgos vividos na própria pele permite que tantas situações extremas sejam o alicerce de uma literatura de ponta.

Agora, com A balada do cálamo, Atiq Rahimi nos presenteia sua história de vida embalada em belo afresco poético e imbuída de reflexões indo no cerne de sua obra e seu ofício. Que eleva a uma categoria superior por meio de suas incursões no legado dos grandes poetas clássicos persas e árabes, bem como de suas “calimorfias” de delicadas pinceladas de cálamo compondo a beleza plástica embutida na gestação literária desta obra de esplêndido equilíbrio.

O exílio dói, as palavras podem ter o dom de amenizá-lo, e isso é uma das várias abordagens que permite esta digressão pelas reviravoltas do destino. Para parafrasear Atiq nesteatlas pessoal de tanta sutileza erótico-poética que ele monta com a delicadeza de um ourives, ao se perguntar “A que civilização eu pertenço?”, ele mesmo não hesita em responder “A todas, mas sobretudo àquela que me empresta suas letras.” (Angel Bojadsen)


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