Lao She e a China dos riquixás

Confira como foi o evento do dia 21 de março

Lao She e a China dos riquixás

 

Na última quarta-feira (21/3), amantes da cultura chinesa se reuniram na Tapera Taperá, no centro de São Paulo, para uma noite dedicada à vida e à obra de Lao She (1899–1966), considerado o principal autor da literatura moderna do país.

A profa. Márcia Schmaltz, responsável pela tradução do chinês de O GAROTO DO RIQUIXÁ, obra emblemática do realismo social escrita por Lao She em 1937, abriu o evento. “Adaptar o estilo do autor, que escrevia imitando a língua falada nas ruas de Beijing, foi um dos principais desafios, bem como manter o sarcasmo e humor tão presentes no original”, contou a tradutora.

 

Tradutora e professora Márcia Schmaltz
Márcia Schmaltz, tradutora do chinês e divulgadora da cultura chinesa, participou do evento remotamente


Um pequeno clipe de da adaptação cinematográfica de Ling Zifeng para o livro também foi exibido. A cena, que abre o filme, mostra o protagonista Xiangzi voltando à cidade de Beijing após ser capturado por um dos exércitos envolvidos nas guerras civis chinesas e perder seu precioso riquixá. É nessa volta à cidade que ele recebe o apelido que o acompanharia ao longo do livro: Camelo. 

 

Cena do filme de Ling Zifeng

 Cena do filme de Ling Zifeng inspirado no romance O GAROTO DO RIQUIXÁ

 

O prof. Shu Changsheng falou um pouco mais sobre o livro e sobre a vida de Lao She. Antes de se tornar um romancista imensamente popular na China e no mundo, Lao She morou na Inglaterra, onde lecionou e teve contato com a obra de Charles Dickens, D. H. Lawrence, James Joyce e Thomas Hardy, que muito o influenciaram.

De origens humildes, filho de uma família manchu e influenciado pelo realismo dos autores de língua inglesa, Lao She decidiu voltar sua atenção aos estratos mais baixos da sociedade chinesa, criando uma literatura inédita em seu país.
 
O prof. Shu Changsheng (à esq.) e Angel Bojadsen, diretor editorial da Estação Liberdade

 O prof. Shu Changsheng e Angel Bojadsen, diretor editorial da Estação Liberdade

 

Sua preocupação social poderia ser comparada, no Brasil, ao trabalho de autores como Lima Barreto, Graciliano Ramos ou Jorge Amado (o baiano, inclusive, conheceu Lao She em visita à China). Mas Shu fez questão de salientar que, mesmo se comparado com a dura vida dos personagens de Vidas secas, “o destino de Xiangzi é ainda mais trágico – ao final do livro, por um cansaço ‘de alma’ perante o que viveu, ele renega tudo em que acreditava.”

Antônio Freitas (à dir.), um dos gestores da Associação Tapera Taperá, surpreendeu os palestrantes e os convidados chineses com o mandarim aprendido na China

 Antônio Freitas (à dir.), um dos gestores da Associação Tapera Taperá, surpreendeu os palestrantes e os convidados chineses com o mandarim aprendido na China

 

Representantes da rádio chinesa CRI e da agência de notícias Xinhua estiveram presentes para prestigiar o evento e entrevistar os participantes. O diretor editorial da Estação Liberdade, Angel Bojadsen, também falou um pouco sobre os próximos planos da editora na literatura chinesa: a casa deve lançar, no 2º semestre de 2018, o monumental romance TERRA DO CERVO BRANCO, de Chen Zhongshi, publicado originalmente em 1993 e considerado uma das obras-primas da literatura chinesa recente.

Mais fotos do evento estão disponíveis no Facebook da Tapera Taperá



Garoto do Riquixá, O

R$49,00

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