.: NOTÍCIAS DA ESTAÇÃO LIBERDADE

 
 

Estação Liberdade repete êxito e lança outras duas obras de Kawabata

A Estação Liberdade vai lançar no segundo semestre de 2007 mais duas obras do escritor japonês Yasunari Kawabata: Dançarina de Izu e Contos da palma da mão. A editora quer repetir o sucesso das publicações anteriores do autor, prêmio Nobel de literatura em 1968 por obras como A Casa das belas adormecidas, O país das neves, Mil Tsurus e Kyoto, todas elas traduzidas diretamente do japonês e lançadas pela Estação Liberdade em 2004 e 2005.
Em A dançarina de Izu, Kawabata retoma temas que são sua marca registrada, como o do amor impossível. Esta obra de 1926 conta a história de um jovem de 19 anos que viaja até a península de Izu, onde conhece um grupo de artistas viajantes, do qual faz parte Kaoru, uma dançarina de apenas 13 anos. O segundo lançamento, Contos da palma da mão, registra o estilo próprio do autor em narrativas brevíssima, da qual se tornou notório especialista. Ambos os lançamentos caracterizam o melhor estilo Kawabata: retratos profundos da solidão e da sexualidade humanas.
Kawabata é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX. Ao contrastar o ritmo harmônico da natureza e o turbi­lhão da avalanche sensorial, Kawabata forjou insólitas associações e metáforas táteis, visuais e auditivas que revelam a fragilidade do ser humano diante do cotidiano.
Sua obsessão pelo mundo feminino, sexualidade humana e o tema da morte (presente em sua vida desde cedo, sob a forma da perda sucessiva de todos seus familiares) renderam-lhe antológicas descrições de encontros sensuais, com toques de fantasia, rememoração, inefabilidade do desejo e tragédia pessoal.

 

Akutagawa

Akutagawa

 

Soseki, Kafu, Ibuse e Akutagawa: nova safra de autores japoneses

Depois de publicar grandes nomes da literatura japonesa como Kawabata, Murakami e Yoshikawa, a Estação Liberdade se prepara para lançar este ano outros importantes autores do Japão: Masuji Ibuse (Chuva Negra), Ryonosure Akutagawa (Roshômon e outros contos), Nagai Kafu, (Crônicas da estação da chuva) e Natsume Soseki (Eu sou um gato), como sempre em tradução diretamente do japonês.
Estabelecida na linha de frente da veiculação das letras nipônicas desde seu nascimento, a Estação Liberdade aposta agora em outros títulos que alcançaram sucesso por onde passaram, como Chuva Negra. Essa obra assinada por Masuji Ibuse (1898-1993) conta a história da pequena cidade japonesa de Kobatake, dominada pelo boato de que uma de suas habitantes havia estado em Hiroshima no dia do ataque atômico realizado pelas tropas norte-americanas, em 1945. As possibilidades de que a garota estivesse contaminada pela radiação reduzem, dia-a-dia, suas chances de casamento. A obra foi adaptada para o cinema pelo diretor japonês Shohei Imamura.
A Estação Liberdade também lança Eu sou um gato, de Natsume Soseki (1867-1916), que é considerado um dos pais da literatura moderna japonesa. O romance é narrado por um gato perspicaz que em vários momentos torna-se filósofo e faz duras críticas à assimilação de modelos ocidentais pelo povo japonês. Ao conceder ao gato esse papel de inquisidor dos deslizes humanos, o autor propõe que se estabeleçam critérios e limites para a imposição cultural vinda do Ocidente.
Rashômon e outros contos também chega às livrarias este ano. Nesta obra de Ryonosure Akutagawa, dois temas fundamentais: a relação entre a vida e a arte, e o contato entre as culturas do Japão e do Ocidente. A obra inclui “Rashômon” e “Dentro do bosque”, obras que inspiraram Akira Kurosawa a fazer o filme Rashômon.
Outro autor japonês em tradução este ano pela Estação Liberdade é Nagai Kafu (1879-1959), com Crônicas da estação da chuva. O autor, considerado um dos mais influentes escritores japoneses da primeira metade do século XX, constrói neste livro de contos uma maneira própria de abordar uma estação e a beleza de um lugar. O autor ficou conhecido por memoráveis descrições do temperamento e imaginário da cidade de Tóquio.

Gide  

Obras de André Gide serão lançadas pela Estação Liberdade

A Estação Liberdade resgata a obra de André Gide (1869-1951), prêmio Nobel de literatura em 1947, e publica no segundo semestre deste ano Le Ramier (O pombo-torquaz, trad. Mauro Pinheiro), Os porões do Vaticano e Os moedeiros falsos, além de Diário dos moedeiros falsos, editado pela primeira vez no Brasil, no qual Gide nos revela segredos de seu ofício literário. As três últimas traduções vêm assinadas por Mário Laranjeira.
O conto Le Ramier era inédito mesmo na França até pouco tempo, quando a filha do autor, Catherine Gide, encontrou os originais e decidiu publicá-los, após hesitar devido à abordagem franca de uma experiência homossexual do pai descrita no texto.
Autor de mais de sessenta obras de ficção, poesia, teatro, todas de forte crítica às convenções morais e religiosas, Gide foi considerado um escritor transgressor da moral pública a ponto de o Vaticano incluir todos seus escritos no Índice de Livros Proibidos.
Porém, isso nunca o impediu de ser considerado um dos grandes literatos de seu país, por ter inovado nas formas e no conteúdo e influenciado a geração francesa que viveu entre as duas guerras mundiais.

 

Peter Sloterdijk  

Estação Liberdade lança importante pacote de obras
do aclamado Peter Sloterdijk

Depois de publicar Regras para o parque humano e Desprezo das massas, a Estação Liberdade anuncia, para 2007 e 2008, o lançamento das obras Crítica da razão cínica, o primeiro volume da trilogia Esferas e Ira e tempo, que comoveram seus leitores pelo preciso diagnóstico que fazem da configuração da sociedade atual.
Uma característica inconfundível do pensar e do escrever de Peter Sloterdijk é a inserção de questões atuais na história.
Em Ira e tempo, ele redefine a atual condição humana, faz revelações insuspeitas e analogias revolucionárias. Nesse seu novo ensaio, ele estabelece a ira como fator político-psicológico, que move os acontecimentos desde o início da civilização até nossos tempos permeados de terrorismo.
O início da cultura ocidental se inicia com o termo “ira” na primeira frase da Ilíada. Na época helenística, tinha um peso maligno – e era justamente apreciado, pois gerava heróis. Por isso, pergunta-se Sloterdijk: o que acontece que pouco tempo depois a ira só é admitida em pouquíssimas situações? De que forma se desenvolvem nas culturas tardias a noção de “ira de Deus” enquanto justiça? Através de que mecanismos os movimentos revolucionários da época moderna e do século XX se apresentam como um “banco mundial da ira”? E de que forma devemos lidar com o retorno da ira neste início de século XXI?
Sloterdijk já adianta uma resposta: “A grande política só acontece na forma de ações de equilíbrio. Exercer o equilíbrio significa não esquivar os combates necessários e não provocar nenhum luta supérflua. Significa também arrefecer na peleja contra a destruição do meio ambiente e contra a desmoralização generalizada”.

 

 

Peter Handke  

Uma viagem com Handke: lançamentos abordam narração,
memórias e descobertas

O austríaco Peter Handke embarca o leitor em longa viagem pelo interior da Espanha em A perda da imagem ou Através da Serra de Gredos, obra que será lançada este ano pela Estação Liberdade. Também de Handke, a editora lança Don Juan no segundo semestre de 2007.

A perda da imagem – uma peregrinação intimista
No romance A perda da imagem uma poderosa banqueira contrata um escritor para registrar sua história de vida. Os dois saem de uma grande cidade européia para Valladolid (Espanha) em busca de um povoado que ela pretende apresentar ao um escritor. A narrativa é desafiante. Segundo Handke, esta contradição existente entre a profissão dessa mulher e um amplo movimento narrativo o encantou.
A Perda da imagem foi recebido e aplaudido pela critica alemã como um grande romance realista. Porém para Handke, trata-se mais do que isso. A narração oscila de um instante para outro entre o onírico e o real e racional.
No desenrolar do romance a banqueira encontra o povoado que procurava. Dotado de elementos imaginários e imerso em uma total perda de imagens, idéias, sonhos e leis, o povoado se apresenta ao leitor como crítica feroz à sociedade pasteurizada em que vivemos. Handke também aborda três grandes assuntos de nossa época: mudança climática, guerras contínuas e a dominação dos meios de comunicação.
Porém, é neste contexto de “perda da imagem” que muitas descobertas (ou redescobertas) são feitas. Trata-se de uma história sobre esse entusiasmo da perda e dos reencontros fundamentais.
Para Peter Handke esse romance é um agradecimento à paisagem da Espanha, país que com freqüência ronda suas obras, como no caso de Don Juan, que a Estação Liberdade lançará no segundo semestre deste ano.

Handke relê Don Juan
Neste livro, o célebre personagem-título da obra faz uma inesperada visita ao século XXI, oferecendo uma surpreendente e irônica elucidação sobre sua própria figura.
Em Don Juan Peter Handke reinterpreta, por exemplo, o conceito de libertinagem, dando ao leitor novas possibilidades de ver o personagem que tanto encantou as mulheres. A narrativa toma pontos de partida diferentes. Para começar, a história não é narrada por Don Juan, mas pelo cozinheiro de um pequeno hotel nas ruínas de um monastério francês, que não recebe visitas durante o inverno. Com a chegada do ilustre convidado, o cozinheiro até então desocupado transforma-se em fiel ouvinte das confissões de Don Juan.
Entre as histórias de aventuras com mulheres de todos os lugares do mundo, surgem revelações inesperadas de dor e perda. O Don Juan de Handke é isolado e atormentado pela perda de um filho, o único ser que realmente amou. O personagem libertino de outrora se mostra humano, desorientado e sem esperanças. Carrega consigo através dos séculos um grande sentimento de morte. Handke traduz tais sentimentos com maestria e, mais um vez, aproveita as ambigüidades do personagem e aprofunda as diferentes facetas do mundo real.

Kyoto  

Tradutora de obra editada pela Estação Liberdade é premiada em Porto Alegre

No último dia 31 de outubro, Meiko Shimon recebeu o Prêmio de Melhor Tradutora do Ano pelo livro Kyoto [Koto, no original em japonês], de Yasunari Kawabata (Editora Estação Liberdade, 2006). A IV edição do prêmio Sul, Nacional e os Livros, evento paralelo à 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, que vai até 12 de novembro, homenageou 25 nomes da literatura no Rio Grande do Sul. Cerca de mil pessoas assistiram à premiação organizada pela Câmara Rio-Grandense do Livro, jornal O Sul, rede de supermercados Nacional e Rede Pampa de Televisão.
Para Meiko Shimon, que nasceu no Japão e se naturalizou brasileira, o trabalho de tradução do japonês para o português é muito prazeroso, mas também exige extensa pesquisa. “Para traduzir Kyoto enfrentei grande dificuldade, pois são muitas as diferenças culturais entre os dois países. É preciso repensar, pesquisar e, às vezes, até reescrever o texto”, analisa a tradutora premiada. “Além disso, principalmente aqui na Região Sul, onde a imigração japonesa foi menor se comparamos ao Sudeste do país, a literatura japonesa ainda não chama tanta atenção, por isso as dificuldade do trabalho são ainda maiores”.
Além de tradutora, ela é também professora de língua e literatura japonesa no Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Especializou-se na obra de Yasunari Kawabata, de quem é a maior conhecedora no Brasil.
A obra de Yasunari Kawabata, Prêmio Nobel de literatura em 1968, está sendo editada pela Estação Liberdade, em traduções diretas do japonês. Em 2005, Meiko traduziu A casa das belas adormecidas, uma surpreendente obra na tradição do erotismo japonês.
No primeiro semestre de 2007, a Estação Liberdade lançará duas obras de Kawabata, a coletânea de narrativas curtas Contos da palma da mão e a novela A dançarina de Izu