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Peter Handke

Uma viagem com Handke: lançamentos abordam narração,
memórias e descobertas

O austríaco Peter Handke embarca o leitor em longa viagem pelo interior da Espanha em A perda da imagem ou Através da Sierra de Gredos, obra que será lançada este ano pela Estação Liberdade. Também de Handke, a editora lançou Don Juan em 2007.

A perda da imagem – uma peregrinação intimista
No romance A perda da imagem uma poderosa banqueira contrata um escritor para registrar sua história de vida. Os dois saem de uma grande cidade européia para Valladolid (Espanha) em busca de um povoado que ela pretende apresentar ao um escritor. A narrativa é desafiante. Segundo Handke, esta contradição existente entre a profissão dessa mulher e um amplo movimento narrativo o encantou.
A Perda da imagem foi recebido e aplaudido pela critica alemã como um grande romance realista. Porém para Handke, trata-se mais do que isso. A narração oscila de um instante para outro entre o onírico e o real e racional.
No desenrolar do romance a banqueira encontra o povoado que procurava. Dotado de elementos imaginários e imerso em uma total perda de imagens, idéias, sonhos e leis, o povoado se apresenta ao leitor como crítica feroz à sociedade pasteurizada em que vivemos. Handke também aborda três grandes assuntos de nossa época: mudança climática, guerras contínuas e a dominação dos meios de comunicação.
Porém, é neste contexto de “perda da imagem” que muitas descobertas (ou redescobertas) são feitas. Trata-se de uma história sobre esse entusiasmo da perda e dos reencontros fundamentais.
Para Peter Handke esse romance é um agradecimento à paisagem da Espanha, país que com freqüência ronda suas obras, como no caso de Don Juan, que a Estação Liberdade lançará no segundo semestre deste ano.

Handke relê Don Juan
Neste livro, o célebre personagem-título da obra faz uma inesperada visita ao século XXI, oferecendo uma surpreendente e irônica elucidação sobre sua própria figura.
Em Don Juan Peter Handke reinterpreta, por exemplo, o conceito de libertinagem, dando ao leitor novas possibilidades de ver o personagem que tanto encantou as mulheres. A narrativa toma pontos de partida diferentes. Para começar, a história não é narrada por Don Juan, mas pelo cozinheiro de um pequeno hotel nas ruínas de um monastério francês, que não recebe visitas durante o inverno. Com a chegada do ilustre convidado, o cozinheiro até então desocupado transforma-se em fiel ouvinte das confissões de Don Juan.
Entre as histórias de av
enturas com mulheres de todos os lugares do mundo, surgem revelações inesperadas de dor e perda. O Don Juan de Handke é isolado e atormentado pela perda de um filho, o único ser que realmente amou. O personagem libertino de outrora se mostra humano, desorientado e sem esperanças. Carrega consigo através dos séculos um grande sentimento de morte. Handke traduz tais sentimentos com maestria e, mais um vez, aproveita as ambigüidades do personagem e aprofunda as diferentes facetas do mundo real.

AkutagawaAkutagawa
 
Kafu, Ibuse, Inoue e Akutagawa:
nova safra de autores japoneses


Depois de publicar grandes nomes da literatura japonesa como Kawabata, Murakami e Yoshikawa, a Estação Liberdade lança em 2008 e 2009 outros importantes autores do Japão: Masuji Ibuse (Chuva negra), Ryonosure Akutagawa (Kappa e obras escolhidas), Yasushi Inoue (Fuzil de caça e O castelo de Yodo) e Nagai Kafu (Crônicas da estação das chuvas), como sempre em tradução diretamente do japonês.

Escrita em 1931, Crônica da estação das chuvas trata da vida noturna da cidade de Tóquio do início do século XX, das relações obscuras estabelecidas no agitado bairro de Ginza. O amor e o interesse, o adultério e o mundo das gueixas e prostitutas são os pilares sobre os quais se sustenta a narrativa ácida de Kafu.

Kappa e obras escolhidas chega às livrarias no próximo ano. Nesta obra de Ryonosuke Akutagawa, dois temas fundamentais: a relação entre a vida e a arte, e o contato entre as culturas do Japão e do Ocidente. A obra inclui “Rashômon” e “Dentro do bosque”, obras que inspiraram Akira Kurosawa a fazer o filme Rashômon.

Estabelecida na linha de frente da veiculação das letras nipônicas desde seu nascimento, a Estação Liberdade aposta agora em outros títulos que alcançaram sucesso por onde passaram, como Chuva negra. Essa obra, assinada por Masuji Ibuse (1898-1993), conta a história da pequena cidade japonesa de Kobatake, dominada pelo boato de que uma de suas habitantes havia estado em Hiroshima no dia do ataque atômico realizado pelas tropas norte-americanas, em 1945. As possibilidades de que a garota estivesse contaminada pela radiação reduzem, dia-a-dia, suas chances de casamento. A obra foi adaptada para o cinema pelo diretor japonês Shohei Imamura.

Em tradução, encontram-se duas obras de Yasushi Inoue. Nascido em 1907, Inoue foi poeta, contista, novelista e ensaísta. Seu Fuzil de caça, outro lançamento para 2009, tem como tema o período pós-guerra e é inspirado num poema que retrata a relação entre um fuzil de caça e a solidão humana. Do mesmo autor, com previsão de lançamento para 2010, a Estação Liberdade também traduz O castelo de Yodo, obra de 1961, romance histórico que retrata o Japão do século XVI. 

Gide  

Obras de André Gide serão lançadas pela Estação Liberdade

A Estação Liberdade resgata a obra de André Gide (1869-1951), prêmio Nobel de literatura em 1947, e publica no segundo semestre deste ano Le Ramier (O pombo-torquaz, trad. Mauro Pinheiro), Os porões do Vaticano e Os moedeiros falsos, além de Diário dos moedeiros falsos, editado pela primeira vez no Brasil, no qual Gide nos revela segredos de seu ofício literário. As três últimas traduções vêm assinadas por Mário Laranjeira.
O conto Le Ramier era inédito mesmo na França até pouco tempo, quando a filha do autor, Catherine Gide, encontrou os originais e decidiu publicá-los, após hesitar devido à abordagem franca de uma experiência homossexual do pai descrita no texto.
Autor de mais de sessenta obras de ficção, poesia, teatro, todas de forte crítica às convenções morais e religiosas, Gide foi considerado um escritor transgressor da moral pública a ponto de o Vaticano incluir todos seus escritos no Índice de Livros Proibidos.
Porém, isso nunca o impediu de ser considerado um dos grandes literatos de seu país, por ter inovado nas formas e no conteúdo e influenciado a geração francesa que viveu entre as duas guerras mundiais.

Peter Sloterdijk  

Estação Liberdade lança importante pacote de obras
do aclamado Peter Sloterdijk

Depois de publicar Regras para o parque humano e Desprezo das massas, a Estação Liberdade anuncia, para 2007 e 2008, o lançamento das obras Crítica da razão cínica, o primeiro volume da trilogia Esferas e Ira e tempo, que comoveram seus leitores pelo preciso diagnóstico que fazem da configuração da sociedade atual.
Uma característica inconfundível do pensar e do escrever de Peter Sloterdijk é a inserção de questões atuais na história.
Em Ira e tempo, ele redefine a atual condição humana, faz revelações insuspeitas e analogias revolucionárias. Nesse seu novo ensaio, ele estabelece a ira como fator político-psicológico, que move os acontecimentos desde o início da civilização até nossos tempos permeados de terrorismo.
O início da cultura ocidental se inicia com o termo “ira” na primeira frase da Ilíada. Na época helenística, tinha um peso maligno – e era justamente apreciado, pois gerava heróis. Por isso, pergunta-se Sloterdijk: o que acontece que pouco tempo depois a ira só é admitida em pouquíssimas situações? De que forma se desenvolvem nas culturas tardias a noção de “ira de Deus” enquanto justiça? Através de que mecanismos os movimentos revolucionários da época moderna e do século XX se apresentam como um “banco mundial da ira”? E de que forma devemos lidar com o retorno da ira neste início de século XXI?
Sloterdijk já adianta uma resposta: “A grande política só acontece na forma de ações de equilíbrio. Exercer o equilíbrio significa não esquivar os combates necessários e não provocar nenhum luta supérflua. Significa também arrefecer na peleja contra a destruição do meio ambiente e contra a desmoralização generalizada”.