A UNIVERSIDADE SEM CONDIÇÃO
Jacques Derrida

128 p., 14 x 21 cm
ISBN: 85-7448-074-6
Tradução: Evando Nascimento
R$ 24,00

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“PODE a universidade (e de que maneira?) afirmar uma independência incondicional, reivindicar uma forma de soberania, uma espécie bem original, uma espécie excepcional de soberania, sem nunca se arriscar ao pior, a saber, em função da abstração impossível dessa soberana independência, ter que se render e capitular sem condição, deixar-se conquistar ou comprar a qualquer preço?"

 

O livro

Originalmente uma conferência pronunciada na Universidade de Stanford, A Universidade sem condição desenvolve uma reflexão sobre o lugar da Universidade num mundo globalizado. Jacques Derrida analisa aqui o papel das Humanidades na reflexão sobre sua própria história, relacionada ao conceito de Homem, a fim de ver como podem contribuir para o advento de uma nova Universidade.

O “sem condição” do título aponta para a situação dúplice da instituição universitária hoje. Por um lado, a expressão indica uma incondicionalidade indispensável à pesquisa e ao ensino superiores, sem o que estes ficarão sempre presos a valores políticos, éticos e jurídicos que vão contra seus princípios. Por outro lado, “sem condição” é também o índice de certa falta de “poder” universitário, pelo fato de sua existência muitas vezes depender de fatores estranhos a seu próprio funcionamento, bastando, para entender isso, refletir a respeito da administração de verbas e recursos.

Num momento em que a Universidade, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, se vê ameaçada pelas leis do mercado, este livro fornece material para se discutir as novas políticas do saber e os direcionamentos que permitirão sua sobrevida em contato com o mundo exterior, para além dos muros que a fecham em si mesma, com o risco de asfixia.

Do mesmo modo, a incondicionalidade da instituição universitária se torna um aspecto fundamental no sentido de ser útil a uma outra forma de democracia, até agora inexistente nos tipos históricos, ainda por vir.

Evando Nascimento

 

Trechos

“Para além do que se chama liberdade acadêmica, essa Universidade exige e deveria ter reconhecida uma liberdade incondicional de questionamento e de proposição, ou até mesmo, e mais ainda, o direito de dizer publicamente tudo o que uma pesquisa, um saber e um pensamento da verdade exigem.” (pp. 13-14)

“pode a universidade (e de que maneira?) afirmar uma independência incondicional, reivindicar uma forma de soberania, uma espécie bem original, uma espécie excepcional de soberania, sem nunca se arriscar ao pior, a saber, em função da abstração impossível dessa soberana independência, ter que se render e capitular sem condição, deixar-se conquistar ou comprar a qualquer preço?” (pp. 21-22)

“Onde se encontra nos tempos atuais o lugar comunitário e o vínculo social de um campus, na era ciberespacial do computador, do teletrabalho e da WWWeb?” (p. 30)

“Essas humanidades por vir transporão as fronteiras disciplinares, mas sem com isso dissolver a especificidade de cada disciplina no que se chama, muitas vezes de maneira confusa, a interdisciplinaridade ou no que se afoga num outro conceito que serve para tudo, os ‘cultural studies’. Mas posso imaginar perfeitamente que departamentos de genética, de ciências naturais, de medicina, e mesmo de matemáticas levem a sério, em seu próprio trabalho, as questões que acabamos de evocar.” (p. 68)