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SOBRE A MORTE Tradução: Rita Rios |
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A obra
Durante toda sua vida
Elias Canetti (Prêmio Nobel de Literatura 1981) refletiu e escreveu
sobre a morte. Dois desafios estão no centro de seu pensamento, que
parecem contradizer-se. Primeiro: é necessário jamais esquecer a morte.
Depois: é necessário sempre resistir à morte.
Este livro oferece uma
compilação de breves anotações e de passagens mais extensas extraídas
das obras de Canetti. No posfácio, Thomas Macho sai em busca de uma
sistematização para as colocações do arguto pensador e mestre das
formulações precisas que nunca se esquivou de confrontar-se com a morte.
Trechos
“Hoje
decidi anotar meus pensamentos contra a morte da maneira como eles me
vêm, aleatoriamente, sem nenhum contexto e sem submetê-los a um plano
tirânico. Eu não posso deixar que essa guerra passe sem forjar no meu
coração a arma que dominará a morte. Esta arma terá que ser
atormentadora e traiçoeira, coerente com ela.” (p. 9)
“Morre-se muito facilmente. Teríamos de morrer com muito mais dificuldade.” (p. 23)
“Os mortos têm medo dos vivos. Os vivos, porém, desconhecendo o fato, temem os mortos.” (p. 24)
“(...) odiar a morte de qualquer outro tanto quanto a própria; um dia fazer as pazes com tudo, nunca com a morte.” (p. 25)
“Pensar
que ainda se tem de pleitear a morte — como se ela não estivesse em
vantagem absoluta! Os espíritos “mais profundos” tratam a morte como a
um castelo de cartas.”
(p. 27)
“Durante todo este mês eu
refleti sobre o triunfo da morte ou da sobrevivência. Poderia parecer
que tudo que eu consegui com a revolta de uma boca atrevida foi a
constatação de que a morte dos outros seria fortalecedora e portanto
cobiçada. Não dê tanta importância ao fato de que você terá de morrer,
pareço dizer, você ainda verá muitos outros morrerem antes de você.”
(p. 44-45)