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A ARQUITETURA NO NOVO MILÊNIO Tradução:
Letícia Martins de Andrade |
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A Arquitetura no novo milênio traz um panorama do universo
arquitetônico que
nos cerca. Não um panorama exaustivo qualquer, mas uma visão ampla,
selecionada
e estruturada por Leonardo Benevolo, um dos mais renomados
historiadores da
arquitetura. Ao longo de quase quinhentas páginas e cerca de novecentas
imagens, o autor, que é também arquiteto e urbanista, deixa de lado a
“proteção” do distanciamento histórico para encarar o desafio de
descrever, ilustrar e analisar criticamente aqueles que são, a seu ver,
os
protagonistas e as obras mais significativos da arquitetura nos últimos
trinta
anos.
Nesta, que é sua obra mais recente, Benevolo exclui propositalmente do
título
os termos “história” e “moderna” — que
figuram em sua já clássica História da arquitetura moderna —, como ele
mesmo destaca na “Introdução”. O crítico italiano acredita que no
centro da produção contemporânea estão a preocupação com a atualidade e
a busca
da inovação adaptada a lugares específicos, o que a distingue,
portanto, do que
acontecia na criação moderna e a aproxima dos ensinamentos dos mestres
da
década de 1920.
Os dois primeiros capítulos são dedicados ao desenvolvimento urbano e
aos
modelos de urbanização. Desde logo vê-se que arquitetura e urbanização
são
pensadas em conjunto, indissociáveis. No terceiro capítulo, o autor se
concentra nas figuras de Gino Valle, Vittorio Gregotti, Giancarlo De
Carlo,
Rafael Moneo e Álvaro Siza, que ele chama de herdeiros da moderna
tradição
européia e, portanto, de Le Corbusier, Gropius e Mies van der Rohe.
No quarto capítulo, ele apresenta os arquitetos “inovadores”,
nascidos entre as décadas de 1930 e 1940: Norman Foster, Richard
Rogers, Renzo
Piano e Jean Nouvel. A esses dois grupos, formados por mestres que
ainda não
foram nem sequer igualados, ele acrescenta nomes como o de Frank O.
Gehry,
Bernhard Tschumi, Daniel Libeskind, Zaha Hadid, Jacques Herzog e Pierre
De
Meuron — os “impacientes” do quinto capítulo, cuja veia
criativa, uma vez atingido o rápido sucesso, corre o risco de tornar-se
maneirismo —, e de Herman Hertzberger, Rem Koolhaas e seu grupo, o OMA,
os membros do Mecanoo e do Foreign Office, Philippe Chaix e Jean-Paul
Morel
— “aprendizes pacientes” que poderão tornar-se os
verdadeiros protagonistas do futuro.
A estruturar o sexto capítulo não são os arquitetos, mas o cenário
europeu,
dividido em três blocos (Alemanha, Itália e as grandes cidades, Paris e
Londres), das principais intervenções arquitetônicas, urbanísticas e de
planejamento territorial do nosso tempo. No capítulo seguinte, tem
início o
deslocamento do eixo geográfico, mas a herança do Velho Continente
ainda
norteia o pensamento crítico: Estados Unidos, Canadá e Austrália são
“As
pátrias européias fora da Europa”.
No oitavo capítulo, temos o Japão profundamente inovador de Fumihiko
Maki,
Arata Isozaki, Tadao Ando, Toyo Ito e Shuhei Endo; no nono, os países
em
desenvolvimento e a busca de luz própria, com América Latina, China e
Índia.
No capítulo final, há uma lista de dezenove intervenções realizadas nos
primeiros quatro anos do século XXI em diversos lugares do mundo. Um
olhar
sobre experiências nascentes e seus jovens autores, exemplos de uma
arquitetura
que, à diferença do que foi apresentado anteriormente, ainda não está
estabilizada. Benevolo acelera, então, sua panorâmica, buscando, a um
só tempo,
oferecer ao leitor uma orientação sobre o presente e entrever um futuro
próximo, certamente mais globalizado, no qual o primado europeu se
extinguirá,
e que ele vislumbra com otimismo.
Leonardo Benevolo considera A arquitetura no novo milênio sua
contribuição
pessoal ao debate sobre os dias de hoje, e convoca o leitor a
participar
ativamente dessa reflexão. Desse modo, ensina que o olhar crítico sobre
as
intervenções arquitetônicas é um verdadeiro exercício de cidadania.