BALZAC, A OBRA-MUNDO /
BALZAC, LE OEUVRE-MONDE
O Colóquio de São Paulo /
Le Colloque de São Paulo

Mônica Cristina Corrêa, Heloisa B. A. Costa, Laurent Desbois, Anne-Marie Grand, Gérard Grimberg, Leda Tenório da Motta, Edmond Nogacki e Ronan Prigent

Prefácio de Philippe Berthier
232 p. | 14 x 21 cm
ISBN: 85-7448-016-9
R$ 28,00
Edição bilíngue português/francês

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Neste ano em que se comemora o bicentenário do nascimento de Honoré de Balzac, especialistas do autor da França e do Brasil estão aqui reunidos para elaborar um retrato representativo, ainda que parcial, de A comédia humana, obra-espelho por excelência de um século XIX em movimento, bem como de suas relações com os tempos atuais.

Toda a "particularidade" da obra de Balzac, para a qual ele transferiu de forma absoluta e fervorosa todo o seu ser, reside provavelmente em sua prodigiosa generalidade. Balzac é uma obra, e essa obra é uma soma; Balzac é um livro, e esse livro é um mundo. Balzac de certa forma é "pessoalmente o mundo", Balzac é uma "obra-mundo". E nenhum trabalho poderia analisar essa obra-mundo, essa marchetaria cuja unidade está na singularidade da visão de um homem, na singularidade de um sentido plantado no coração do demiurgo com cara de escritor, sem se abrir para a multiplicidade, a diversidade, a pluralidde de temas e vozes.

Evocar Balzac é ao mesmo tempo afrontar a parcialidade do tema da evocação e se conscientizar da necessidade de um complemento a essa evocação; da necessidade que ela tem de acolher a parte divergente de outrém para que algo da forma da obra permaneça na forma de sua apresentação.

De uma obra-mundo, e de uma obra-mundo manipulada de forma tão diversa e generosa, somente um livro-mundo ainda inexistente pode aspirar a definir seus contornos. É um trecho desse livro-mundo que encontraremos aqui. Um trecho que, segundo o desejo dos autores, contivesse a imagem do todo, e fosse perpassado pela preocupação de estabelecer uma diversidade coerente, uma heterogeneidade relativa, pois apenas assim ele poderia ser o modesto espelho do monumento a que ele se aplica.

Ronan Prigent