BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Avaliações e ações prioritárias para a conservação, uso sustentável e repartição de benefícios

Instituto Socioambiental, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Grupo de Trabalho Amazônico, Instituto Sociedade, População e Natureza, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, Conservation International

Uma co-edição da Estação Liberdade com o Instituto Socioambiental
544 p. | 21 x 28 cm
ISBN: 85-7448-052-5
R$ 134,00

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A situação socioambiental da Amazônia brasileira na virada do milênio. Resultado do esforço coletivo de cientistas, técnicos de órgãos públicos e de organizações não-governamentais e lideranças do movimento social, esta obra traz 27 artigos de 47 autores, mais de uma centena de mapas temáticos, extensos bancos de dados e fotografias.

Organizadores
João Paulo R. Capobianco (ISA), Adalberto Veríssimo (Imazon), Adriana Moreira (Ipam), Donald Sawyer (ISPN), Iza dos Santos (GTA) e Luiz Paulo Pinto (CI)

Fotógrafos
Araquém Alcântara, Beto Ricardo, Michel Pellanders, Paulo Santos e Pedro Martinelli

Autores
Adalberto Veríssimo, Adriana Martini, Alexandre A. de Oliveira, Ana Cristina de Oliveira Cordeiro Duarte, André Guimarães, Anthony B. Rylands, Antonio Carlos Diegues, Beto Ricardo, Bruce W. Nelson, Christopher Uhl, Claudia Azevedo-Ramos, Daniel Nepstad, David C. Oren, Donald Sawyer, Edmar Moretti, Eirivelthon Lima, Eugênio Arima, Fany Ricardo, Garo Batmanian, Geraldo Andrello, Gláucia Maciel Moreira, James L. Patton, João Paulo R. Capobianco, José Heder Benatti, José Maria Cardoso da Silva, Juliana Santilli, Júlio Falcomer, Laure Emperaire, Leandro V. Ferreira, Luís Fernando S. N. de Sá, Manuela Carneiro da Cunha, Márcia Nunes, Márcio Santilli, Maria Iolita Bampi, Maria Nazareth F. da Silva, Marky Brito, Maurício Pontes Monteiro, Mauro W. B. Almeida, Moacyr B. Arruda, Nelson de Araújo Rosa, Paulo Moutinho, Richard C. Vogt, Robert Buschbacher, Ronaldo B. Barthem, Rosa Lemos de Sá, Ulisses Galatti, William L. Overal

O livro
• 27 documentos temáticos – elaborados pelos mais conceituados pesquisadores das áreas de botânica, zoologia, ecologia, etnografia, antropologia, sociologia e economia
• 62 fotos coloridas – de cinco renomados fotógrafos
• 126 mapas – incluindo 29 mapas temáticos em formato grande
• descrição e recomendações para 385 áreas prioritárias para a biodiversidade da Amazônia brasileira
• identificação de 560 áreas prioritárias para aves, biota aquática, mamíferos, invertebrados, botânica, répteis e anfíbios, Unidades de Conservação, funções e serviços ambientais dos ecossistemas, novas oportunidades econômicas, populações tradicionais e povos indígenas, pressões antrópicas, eixos e pólos de desenvolvimento
• recomendações gerais para políticas setoriais, sistemas de conservação, desenvolvimento econômico e pesquisa científica na região amazônica

O projeto e a obra

Amazônia, reserva mundial de diversidade biológica e cultural
A grande maioria das florestas tropicais brasileiras está concentrada na região amazônica: dos pouco mais de 6 milhões de quilômetros quadrados que se estima ser hoje a área total da floresta amazônica na América do Sul, nada menos do que 60% estão em território brasileiro.

No que diz respeito à biodiversidade, os números do Brasil também impressionam. O país conta com a maior riqueza de animais e vegetais do mundo: entre 10 a 20% de 1,5 milhão de espécies já catalogadas. São cerca de 55 mil espécies de plantas com sementes (aproximadamente 22% do total mundial), 502 espécies de mamíferos, 1.677 de aves, 600 de anfíbios e 2.657 de peixes. Respectivamente 10,8%, 17,2%, 15,0% e 10,7% das espécies existentes no planeta.

Além da riqueza natural, a Amazônia abriga uma fantástica diversidade cultural. Lá vivem cerca de 170 povos indígenas, com uma população aproximada de 180 mil indivíduos, 357 comunidades remanescentes de antigos quilombos e milhares de comunidades de seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, babaçueiras, entre outras.

A Amazônia possui grande importância para a estabilidade ambiental do planeta. Nela estão fixadas mais de uma centena de trilhões de toneladas de carbono. Sua massa vegetal libera cerca de sete trilhões de toneladas de água anualmente para a atmosfera via evapotranspiração e seus rios descarregam cerca de 20% de toda a água doce despejada nos oceanos pelos rios existentes no globo terrestre.

Este fantástico patrimônio socioambiental brasileiro chegou ao ano 2000 com suas características originais relativamente bem preservadas. Na Amazônia da era da cibernética, ainda é possível contabilizar pelo menos 50 grupos indígenas arredios e sem contato regular com o mundo exterior.

A Amazônia na era das biotecnologias e da engenharia genética
Seu potencial nesse campo é enorme. O Relatório Nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica (MMA 1998) afirma que a diversidade biológica tem importância decisiva no plano econômico, e o setor da agroindústria, por exemplo, que se beneficia diretamente do patrimônio genético, responde por cerca de 40% do PIB nacional. O crescente mercado mundial de produtos biotecnológicos, por sua vez, movimenta entre 470 bilhões e 780 bilhões de dólares por ano, e o seu crescimento depende de princípios ativos e códigos genéticos existentes na natureza.

Os laboratórios mais avançados que a ciência já desenvolveu agregam suas pesquisas ao outro extremo: os conhecimentos das populações tradicionais, que permitem a identificação dos princípios ativos escondidos na complexidade dos ecossistemas tropicais.

Ameaças de degradação
As ameaças de degradação avançam em ritmo acelerado. Os dados oficiais, elaborados pelo Inpe, sobre o desmatamento na região mostram que ele é extremamente alto e está crescendo. Já foram eliminados cerca de 570 mil km2 de florestas na região, uma área equivalente à superfície da França, e a média anual dos últimos sete anos é da ordem de 17,6 mil quilômetros quadrados. Mantida esta taxa, em pouco mais de 30 anos será dobrada a área que levou 500 anos para ser eliminada.

A situação, no entanto, pode ser mais grave. Os levantamentos oficiais identificam apenas áreas onde a floresta foi completamente retirada, por meio das práticas conhecidas como corte raso. As degradações provocadas por atividades madeireiras e queimadas não são contabilizadas. Se computarmos os 11.730 km2 de florestas queimadas no incêndio de Roraima em 1998, mais os 15 mil km2 que se estima sejam a área impactada pela extração seletiva de madeiras nobres a cada ano na região, o total da área de floresta degradada no ano de 1998 pularia dos 17.383 km2 computados pelo Inpe, para 44.113 km2, ou seja, mais do que o dobro.

Por outro lado, a expansão da soja sobre áreas de cerrados e florestas na Amazônia pode constituir séria ameaça se não forem adotadas medidas de ordenamento ambiental. No período de 1997 e 2000, a produção dessa leguminosa no estado de Rondônia saltou de 4,5 mil toneladas para 45 mil toneladas, um crescimento de 900%.

Planejamento estratégico: o projeto
Desenvolveu-se nesse contexto o projeto Avaliação e Identificação de Ações Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade da Amazônia Brasileira, que integra um conjunto de projetos e seminários de consultas promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio do Programa Nacional de Diversidade Biológica (Pronabio), em cumprimento às obrigações do país na Convenção sobre Diversidade Biológica, firmada durante a RIO-92 e para subsidiar a elaboração da Estratégia Nacional de Biodiversidade.

Seu objetivo foi realizar um trabalho de avaliação da biodiversidade do bioma floresta amazônica, considerando como área de análise a região da Amazônia Legal, identificando os condicionantes ambientais, sociais e econômicos de sua conservação, utilização e repartição dos benefícios decorrentes de seu uso. Para o seu desenvolvimento foram enfrentados dois desafios consideráveis. O primeiro, reunir e tornar analisáveis de forma integrada o maior volume possível de informações disponíveis sobre a Amazônia Legal. O segundo, identificar o maior número possível de especialistas para discutir as diferentes áreas do conhecimento e juntos definirem, de forma consensual, as áreas críticas e as prioridades de ação para a conservação, o uso sustentável e a repartição de benefícios da biodiversidade regional.

Foram cerca de dois anos de trabalhos para reunir, organizar e compatibilizar informações sobre a Amazônia Legal, que se encontravam dispersas em dezenas de órgãos públicos e instituições privadas. De posse dessa base de informações, mais de duas centenas de pesquisadores e especialistas se reuniram na cidade de Macapá, no período de 20 a 25 de setembro de 1999, para realizar o trabalho proposto.

Os resultados do projeto
Foram identificadas e descritas 385 áreas prioritárias para a biodiversidade na Amazônia Legal, e, para cada uma delas, foram integrados os dados biológicos com as informações sobre economia, programas de desenvolvimento, dados populacionais, atividade econômica, evolução do desmatamento, risco de fogo, entre outros. Dessa forma, foi possível determinar o grau de estabilidade dessas áreas e indicar as ações prioritárias, considerando os cenários de curto, médio e longo prazos.

Desde a disponibilização dos resultados do projeto, em formato simplificado através de sítio próprio na Internet e completo através de CD-ROM, alguns avanços importantes foram obtidos. As áreas prioritárias identificadas foram integralmente incorporadas ao projeto de ampliação de áreas protegidas na Amazônia, encaminhado pelo governo brasileiro ao Fundo Mundial do Meio Ambiente (GEF). Também o programa de ampliação e consolidação de uma rede de florestas nacionais e estaduais, do Ministério do Meio Ambiente, se beneficiou das informações do projeto. Finalmente, a divulgação dos possíveis impactos do Programa Eixos Nacionais de Integração e de Desenvolvimento, também conhecido como Avança Brasil, sobre as áreas prioritárias identificadas no Seminário de Macapá, contribuíram para que o Governo Federal decidisse contratar uma avaliação ambiental estratégica.

Espera-se que agora, com a ampliação da divulgação do projeto por intermédio da publicação desta obra, seus resultados encontrem na sociedade brasileira novas formas e oportunidades de cooperarem para a conservação, utilização sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade da Amazônia brasileira.

Da Introdução de João Paulo R. Capobianco
(Coordenador geral do projeto)