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A BOLINHA DE JORNAL 29 p. | 14 x 21 cm |
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É abrir, ver e gostar. Aconteceu comigo e com todos os membros da comissão julgadora. Desde a primeira peneirada, a Bolinha ficou pulando entre os originais preferidos, quase sem entrar em confronto com os trabalhos concorrentes. Pulava entre eles. Um caso de criação pura, longe mesmo do desejo de inovar ou encucar. Algo assim simples, como a invenção da roda.
Linguagem quase não existe; o que fala é a idéia, desenhada. Bacana. O elenco, limitado: o menino, o pai do menino e o jornal do pai do menino. O jornal começa fazendo o vilão, a barreira que separa o mundo infantil do mundo dos adultos. Uma barreira chata, toda dividida em linhas e colunas, e complicada por letras, números e siglas. Notícias que paradoxalmente não comunicam, não aproximam - isolam.
O menino dá início à ação fazendo um quase nada: Paiêêê! Mas o paiêêê está mergulhado no noticiário, preso a ele como a um imã. Tristemente, o menino desiste e vai embora.
O pai não era, no entanto, um caso totalmente perdido. A vida não o tornara ainda um panaca radical. O garoto que ele também fora se manifesta. Notícia lida, notícia velha. E jornais têm mil e uma utilidades. Magnificamente podem se transformar numa bola!
E como é bom, gente, dar chutes na realidade azeda que representam! Brincar com os fatos.
E afinal vemos o "happy end" recuperado como boa solução, pai e filho, na linha do horizonte, levando a bolinha de jornal aos chutes, para bem longe, a um lugar no tempo onde só prazer tem sentido.
A autora, Mária de Fátima Portilho, não fez um livro, não, fez uma bolinha de jornal para os leitores brincarem com ela. E com o que ela significa, caso queiram.
Texto de Marcos Rey