![]() |
A BOMBA INFORMÁTICA Tradução de Luciano Vieira
Machado |
Compre aqui com nossos parceiros |
| Livraria Cultura | ||
| Submarino | ||
| Saraiva | ||
| Siciliano | ||
| Fnac | ||
Sobre o livro (texto de 4a capa)
Bomba atômica ontem, bomba genética amanhã, nenhuma delas é concebível sem uma terceira: a bomba informática.
Não compreenderíamos nada, efetivamente, à desregulamentação sistemática da economia mundial sem estabelecer uma correlação com a desregulamentação sistêmica da informação.
Crashes econômicos em série, sucessivos
testes atômicos, guerras erráticas, decomposição
política e social: sinais em seqüência anunciando uma repetição
do drama de Babel.
Primeiro crítico do Cibermundo, Paul Virilio denuncia hoje nem tanto
uma técnica quanto um sistema interativo suscetível de desencadear
uma catastrófica reação em cadeia: a Ciberbomba.
Crônica dos últimos dias do milênio, este livro de Virilio constitui, para quem quiser ouvir, um aviso sobre a futura guerra da informação.
"Orelha" de Nicolau Sevcenko
Desde meados do século 19 se assiste a uma aceleração das pesquisas científicas e dos desenvolvimentos tecnológicos, os quais foram intensificados no contexto das duas guerras mundiais e durante a corrida armamentista desencadeada pela guerra fria. Todo esse prodigioso incremento da ciência e da técnica culminou na atual revolução da microeletrônica, transformando radicalmente o modo de vida no planeta no espaço de duas décadas. As mudanças continuam num ritmo cada vez mais frenético, muito acima da nossa capacidade de refletir sobre suas caraterísticas, seu alcance e profundidade.
Diante dessa avalanche transformadora, a reação dominante tem sido a de celebrar a preponderância da ciência e da técnica como fontes do desenvolvimento material, do progresso cultural e da unificação de todas as partes do globo. Na medida em que os agentes políticos e econômicos são os principais beneficiados com essas mudanças, eles se encarregam de exaltá-las em versões positivas, plenas de promessas e símbolos de abundância, paz e solidariedade em favor de cada indivíduo e de todos os povos da Terra.
Não é essa a realidade que se vislumbra entretanto, num mundo cada vez mais ameaçado pela divisão social e econômica entre o norte e o sul, entre os ricos e os pobres, entre os profissionais altamente qualificados e as massas crescentes de desempregados, de migrantes indesejáveis e de excluídos famintos. Um mundo desestabilizado pelas crises crônicas da especulação financeira, sincronizadas em rede por investidores indiferentes às conseqüências de suas práticas manipulativas. Um mundo estremecido pelo narcotráfico informatizado, pelo terrorismo cego dos desesperados, assim como pela eficiência sinistra das armas inteligentes.
É nessa discrepância entre o otimismo da cultura oficial e o impacto perturbador da realidade contemporânea que se insere a reflexão inconformista de Paul Virilio. Seus ensaios, breves e agudos, sondam as múltiplas facetas pelas quais podemos vislumbrar os desequilíbrios instaurados pelo desenvolvimento irrefletido da ciência e das técnicas. O tom dramático de suas palavras reflete tanto a gravidade da situação exposta, quanto a urgente necessidade de respostas. O tempo corre contra nós, na operação crítica para desarmar a bomba informática."