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CAÇANDO CARNEIROS Tradução
de Leiko
Gotoda |
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Além do mais belo par de orelhas na face da Terra, que misteriosa relação pode haver entre certas organizações do submundo japonês e um jovem publicitário de carreira enfadonha?
Vemos desfilar aqui o Japão gélido e impassível do mundo dos negócios, das aparências que enganam, da funcio-na-lidade levada às últimas conseqüências, sem esquecer uma penca de personagens solitários em busca de algum carinho (inexistente?). As tais orelhas têm a função de colocar nos trilhos esta história detetivesca que rompe alegremente com os cânones do gênero, servindo a rigor para colocar em cena a amizade como tema recorrente - tomem-se como exemplo as cartas do Rato a seu amigo narrador, cujo nome nunca saberemos, e as constantes rememorações dos tempos do J's Bar, reinvenção do bar de jazz que Haruki Murakami dirigiu durante anos. O fato, aliás, de nenhum dos personagens principais ter nome constitui uma das facetas de uma apurada técnica narrativa em que o autor inova sem fazer alarde. E não é o menor dos méritos que seus recursos sejam de uma eficiência tão grande quanto alguns surpreendentes produtos de sua imaginação: estende aos limites do impessoal um mundo dominado pela mídia, no qual as relações humanas "normais" são substituídas por uma atração fetichista por objetos e marcas. Pois não é apenas num fim de mundo de condições extremas e povoado de personagens os mais inusitados que, à sua maneira, estes poderão satisfazer sua necessidade de comunicação? O relacionamento homem-mulher não passa de um simulacro, um aparato meramente funcional e cabal, em último caso requentado pelas orelhas perfeitas que rondam perigos insuspeitos. Perigos de fim de mundo, literalmente: a força de certos reencontros não é suficiente para desencadear explosões quase atômicas? Ao mesmo tempo, Murakami deixa sutilmente pairar no ar a questão de manipulações genéticas com fins militares, e aí a coisa vai longe.
Já não é sem tempo o público brasileiro ter acesso à obra de um dos mais interessantes e populares autores da atual safra de escritores japoneses. De forma geral, brota da literatura de Murakami um bem dosado niilismo pós-industrial que devassa a vida das gerações mais jovens num país em acelerada mutação. Sai de cena o Japão tradicional, entra o mundo da publicidade com seu corolário de mercantilismo exacerbado, que é o mesmo da megalópole freqüentemente sombria em gestação nas mentes e nos corações de personagens urbanos até a medula dos ossos.
Na imprensa estrangeira
"Uma
meditação sobre as influências externas que forjaram o
Japão (bem como) a vontade de poder de Nietzsche e seus perigos, este
romance nos mostra como as formas populares de determinada cultura podem
oferecer um elaborado pasto para as obsessões filosóficas de
outras."
The Sunday Times (Londres)
"Caçando
carneiros (A Wild Sheep Chase, título inglês) vira rudemente de
ponta-cabeça o romance japonês, em geral pacato e de
feições delicadas. Um exilir... em partes iguais comédia
excêntrica, história de detetive e saga heróica."
USA Today
"Um corajoso passo
à frente na ficção internacional... jovem, debochado,
político, e alegórico... uma estréia muito bem-vinda."
New York Times
"Murakami é
um forjador de mitos para o milênio, dono de uma sábia
pretensão."
New York Times Book Review
"Um cruzamento
entre Woody Allen e Franz Kafka."
The Observer (Londres)
"Respirando jazz,
divertido, melancólico... Murakami é inteiramente um escritor do
Japão moderno, nostálgico de um idealismo em extinção,
atônito com a súbita riqueza ."
The Washington Post
"Uma aventura
espirituosa... uma peça de anarquia verbal... um mistério
labiríntico do início ao fim."
San Francisco Chronicle