![]() |
O dia dos bárbaros Tradução: Maria Cecilia Casini |
Compre aqui com nossos parceiros |
| Livraria Cultura | ||
| Saraiva | ||
| Livraria da Travessa | ||
| Livraria Martins Fontes Paulista | ||
A obra
Adrianópolis. Uma cidade
nos confins do Império Romano. Para alguns historiadores, o ponto
culminante da ruptura do império. Embora não tão célebre quanto eventos
como Waterloo ou Estalingrado, a batalha de Adrianópolis (atual Edirne,
na parte europeia da Turquia), naquela tarde de verão de 9 de agosto de
378, teve importância crucial no longo processo de esfacelamento do
poderio romano, e portanto no curso da História: ali os “bárbaros”,
pela primeira vez, vislumbraram a possibilidade de impor uma vitória
contundente sobre as legiões romanas.
Sem perder de vista a
importância desse combate, Alessandro Barbero traz em sua análise o
contexto e os antecedentes daquela data crucial. Muito antes da batalha
de Adrianópolis, godos, gauleses, borgúndios e outros povos já
coabitavam na vasta extensão do império. “É preciso resistir à tentação
de considerar as fronteiras do império como uma barreira
intransponível, e os romanos como um povo sob cerco, obcecado pela
ideia de não deixar entrar ninguém em seu território.” Seja como
mão-de-obra livre ou escrava na lavoura, seja engrossando as fileiras
do exército, havia muitos milhares de bárbaros sob a tutela de Roma
antes da grande entrada de refugiados godos no ano de 376 — admitidos
sob promessas de proteção e alimentação, com a perspectiva de se obter
com eles um bom contingente de trabalhadores.
O Império Romano
assistia havia tempos a uma crise administrativa, mais acentuadamente
em sua matriz ocidental. O refreamento da expansão territorial, a falta
de trabalhadores e as disputas internas minavam a solidez de sua
estrutura. O autor reúne elementos para a compreensão dessa ruptura
ocorrida no século IV e coloca no centro de sua análise o grande embate
de Adrianópolis, quando os godos e seus aliados, insatisfeitos com o
não cumprimento dos compromissos acertados, dizimaram as legiões
romanas e expuseram, entre outras deficiências, a fragilidade da
infantaria frente a cavalarias bem treinadas.
Para o fatídico 9 de
agosto caminhavam os misteriosos destinos dos dois líderes que
protagonizaram a batalha: de um lado, Fritigerno, rei godo que após
suas vitórias sobre os romanos teria entrado na esfera de influência do
imperador Teodósio e talvez assumido posição de comando dentro do
próprio Império do Oriente. De outro, o imperador Valente, cujo
paradeiro após a contenda ficou desconhecido para sempre. Os erros
estratégicos que antecederam esse evento, motivados por imperícia ou
vaidade, são minuciosamente destrinchados, possibilitando que o revés
exemplar do ano de 378 nos conduza a uma visão da derrocada do Império
Romano diversa daquela à qual estamos acostumados.