PRODUÇÃO DE ALIMENTOS NO SÉC. XXI
Gordon Conway

376 p., 16 x 23 cm
ISBN: 85-7448-083-5
R$ 46,00

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“Os próximos trinta anos é que serão o verdadeiro teste da nossa capacidade de explorar o poder da ciência e da tecnologia, não só para os mais ricos, ou mesmo para a maioria, mas para aqueles milhões de pobres e famintos que merecem e têm direito a uma alimentação suficiente.”

A Revolução Verde dos anos 60 e 70 do Século XX foi um êxito excepcional. O uso pelos agricultores de novas tecnologias baseadas em pesquisas científicas transformaram a agricultura e criaram abundância alimentícia, debelando uma ameaça concreta de fome em grande escala.

Esta obra oferece um detalhado e bem documentado retrospecto de como a humanidade conseguiu contornar uma situação que parecia crítica. Mas o que se necessita agora, argumenta o especialista em ecologia agrícola Gordon Conway, atual presidente da Fundação Rockefeller, é uma revolução “duplamente verde” que enfatiza tanto a produtividade quanto a conservação ambiental. Precisamos “planejar” melhores plantas e animais, desenvolver (ou redescobrir) alternativas para fertilizantes e pesticidas inorgânicos, melhorar o manejo do solo e da água e realçar oportunidades de renda para os economicamente desfavorecidos, especialmente as mulheres. Tudo isso depende basicamente de estabelecer parcerias genuínas entre pesquisadores e homens de terreno, que podem oferecer contribuições inestimáveis para a criação e aplicação de novas técnicas.

Embora já tenhamos conseguido grandes avanços no combate à pobreza e à fome mundiais, segundo o autor serão os próximos trinta anos que representarão a hora da verdade. Pois, como escreveu o renomado economista e Prêmio Nobel indiano Amyrtia Sen, “Inanição é a característica de algumas pessoas não terem alimentos suficientes para comer. Não é a característica de não existirem alimentos suficientes para comer.” Nesse sentido, Gordon Conway nos fornece, por meio desta obra fundamental, um plano concreto de ação.

 

Trechos

“Por meio da engenharia genética temos o potencial de desenvolver plantas e animais resistentes a pragas e doenças que possam compensar deficiências minerais e resistir a toxinas, salinidade e seca, e possam tornar mais eficiente o uso da luz solar, água e nutrientes. O potencial é enorme, mas os riscos não são desprezíveis. [...] pode haver riscos, mas eles podem ser minimizados pelo uso sábio da tecnologia no contexto de um conhecimento ecológico e fisiológico sofisticado.” (pág. 192)

“Essa abordagem se harmoniza com o uso comum: sustentabilidade na linguagem cotidiana se refere à capacidade de manter alguma atividade em face de um estresse ou choque – por exemplo, manter um exercício físico, como praticar jogging ou fazer flexões. Nessa analogia, sustentabilidade agrícola é a capacidade de um agroecossistema manter sua produtividade em face de estresses ou choques. O estresse pode resultar da salinidade, de um ataque de pragas, da erosão ou de dívidas, produzindo um efeito adverso freqüente, às vezes contínuo, na produtividade. Um evento importante como um surto de doença, uma estiagem ou um salto repentino no preço de fertilizantes constituiria um choque.” (pág. 199)

“Muitos países têm feito esforços para substituir florestas derrubadas ou destruídas de alguma outra forma por florestas plantadas, mas a velocidade de substituição é muito lenta – cerca de 2,6 milhões de hectares por ano. A área total de florestas plantadas bem estabelecidas é de apenas 30 milhões de hectares.
Grande parte das perdas de florestas na América Latina deve-se a políticas governamentais deliberadas de exploração de terras florestais. No começo da década de 1980, mais de 1 milhão de migrantes se deslocou para o estado de Rondônia, no Brasil, desmatando uma área do tamanho da Virgínia Ocidental. Terra gratuita e suporte do governo lhes foram oferecidos por meio do Projeto Polonoroeste, mas poucas das práticas agrícolas eram sustentáveis e muitos colonos logo abandonaram a terra, migrando para as cidades ou se mudando para novas áreas florestais.” (pág. 308)

“Se manejados de maneira sustentável, os produtos florestais possibilitam renda e emprego consideráveis (Figura 14.6). As exportações de madeira, celulose e papel rendem cerca de US$ 13 bilhões e estimados 3 bilhões de pessoas dependem da madeira para combustível. Para os países em desenvolvimento como um todo, a lenha colhida equivale a quase 1 bilhão de toneladas de petróleo e abastece em torno de 15% de suas necessidades de energia, e nos países mais pobres isso pode alcançar 70%. A escassez de madeira combustível está se tornando grave. Segundo a FAO, quase 250 milhões de pessoas sofrem de falta aguda de madeira combustível e outro 1,3 bilhão está vivendo em áreas onde a procura existente excede o índice de regeneração.” (pág. 309)

“(...) por melhores que sejam as tecnologias, por mais bem pensado que seja o programa de desenvolvimento, por mais comprometidos e bem treinados que sejam os encarregados do programa, as políticas ambientais mais amplas e, particularmente, as políticas sociais e econômicas dominantes poderão ser determinantes do sucesso ou do fracasso.” (p. 357)