ENTRE DOIS MUNDOS
Prêmio Julia Mann de Literatura

Francisco Maciel, Marcelo Macca, Alejandra Saiz,
Antonio R. Esteves, Guilherme Vasconcelos,
José Paulo de Araújo, Renato Modernell, Sérgio Repka

128 p. | 14 x 21 cm
ISBN: 85-7448-027-4
R$ 21,00

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O Prêmio Julia Mann de Literatura foi promovido em 1997 pela Editora Estação Liberdade e pelo Instituto Goethe São Paulo com o intuito de premiar contos inéditos tendo como temática a transculturalidade, a "vida entre duas culturas", não apenas no que se refere ao Brasil e à Alemanha, mas estendendo-se, bem no espírito do prêmio, também a outras identidades culturais. Esta obra contém os contos vencedores e as menções honrosas do concurso.

Culturas em choque, em fusão, gerando novas percepções e novas dinâmicas, constituem áreas de predileção tanto do Instituto Goethe quanto da Estação Liberdade, ora por natureza, ora por vocação, e que já publicaram conjuntamente Julia Mann: uma vida entre duas culturas, homenagem ilustrada à figura de Julia Mann. Esta obra reúne os textos premiados assim como as menções honrosas. Como prevê Ignácio de Loyola Brandão em seu prefácio, a qualidade dos textos finalistas trazia em si a revelação de talentos.

Talentos esses que achamos ter encontrado à flor da pele no extremamente bem lapidado conto de Francisco Maciel, o vencedor deste concurso, de quem já contratamos a edição do romance O primeiro dia do ano da peste; ou ainda no conto inquietante e cheio de circunvoluções do segundo colocado Marcelo Macca, que (não deixando nada ao acaso) foi se empregar no meio editorial. Ou ainda no politicamente tão incorreto texto de Guilherme Vasconcelos com seu relato de jornadas braçais londrinas, ou ainda em José Paulo de Araújo, em cujo "XRM-2600" disparidade cultural e a burocracia kafkeana contracenam para deleite do leitor, ou ainda nos embates de amores púberes do talentoso Renato Modernell em "Irene e o barômetro".

E mais: o conciso e denso, com veleidades mitológicas, texto de Alejandra Saiz, o lirismo repleto de reminiscências andaluzes, mas nada áridas, de António R. Esteves, sem esquecer a abordagem redonda e objetiva do mundo das palavras em Sérgio Repka. Uma safra entre dois mundos, talvez, mas quem sabe a cultura já não estaria bastante fusionada, integrada, esculpida em novas convergências?

 

O Prêmio Julia Mann de Literatura

Este livro nasceu como homenagem a Julia da Silva Bruhns Mann. Mãe dos escritores Heinrich e Thomas Mann, nasceu em 1851 nas imediações da então vila portuária de Paraty, no Estado do Rio de Janeiro. Sete anos mais tarde, após a morte prematura da mãe, mudou-se com a família para Lübeck, norte da Alemanha, passando posteriormente a residir em Munique. A drástica mudança fez com que a vida de Júlia fosse um longo, difícil e também desafiador caminho entre dois mundos. Esposa de senador da cidade-estado de Hamburgo, autora de diversas obras, sua casa era um permanente espaço de efervescência cultural que marcou indelevelmente a formação de seus filhos, protagonistas da conhecida dinastia cultural que viria a ser coroada com o Prêmio Nobel de Literatura para Thomas Mann em 1929.

O Prêmio Júlia Mann de Literatura teve a seguinte comissão julgadora:

Ignácio de Loyola Brandão, escritor e jornalista;
Jeanne-Marie Gagnebin, professora de filosofia (PUC-SP e Unicamp);
João Silvério Trevisan, escritor;
Nicolau Sevcenko, professor de história da cultura (USP e Universidade de Londres);
Willi Bolle, professor de literatura alemã (USP).

 

Do prefácio de Ignácio de Loyola Brandão

Quando o júri se reuniu para discutir resultados, verificou-se uma coisa rara em concursos. Cada um já trazia praticamente o resultado final. Houve uma coincidência: os selecionados eram os mesmos, a questão era definirmos os premiados. Como em todo júri, cada jurado tinha no bolso alguns "votos a mais", os estepes. Poucos, dois, três. A deliberação final não trouxe dificuldades. Porque a qualidade foi muito boa. E a surpresa: não havia profissionais, com Renato Modernell no papel de exceção confirmando a regra. (...)

 

Os autores

Francisco Maciel: Nasceu em 1950 em São Gonçalo, Rio de Janeiro. Escreve desde... nem ele se lembra ao certo quando. Antes do primeiro lugar no Prêmio Julia Mann, já havia sido premiado com versos (1990, Beirute e outros poemas capitais, inédito) e prosa (1995, com a novela Na Beira do Rio) pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Faz pesquisas para novelas da Rede Globo, escreve para a revista Pesca & Mar e dois jornais. Lê e, sem falsa modéstia, declara "gaguejar com sotaque de periferia" em francês, inglês, espanhol e italiano. Lançou O primeiro dia do ano da peste, pela Estação Liberdade.

Marcelo Macca: Nascido em 1963 em Presidente Prudente, interior de São Paulo, cursou jornalismo e letras na USP. Lançou em 2000, ao lado dos fotógrafos Roberto Linsker e Pedro Martinelli, Cuidados com a vida: crônicas e receitas de saúde no Brasil, pela Editora Terra Virgem.

Alejandra Saiz: Atriz do Teatro de Arena (Companhia dos Comediantes), nasceu em São Paulo, capital. Além da formação em artes cênicas (Guaíra, PUC/PR), entre um conto e outro — publicados em diversas revistas — ainda cursou direito em Curitiba/PR e Sorocaba/SP.

Antonio R. Esteves: Nascido em 1961, é professor de literatura na UNESP de Assis/SP há quase duas décadas. Tem na gaveta dois romances que pretende publicar em breve.

Guilherme Vasconcelos: Nasceu em São Paulo/SP em 1961. Formou-se em direito e história pela PUC/SP. Seus textos também estão na TV: roteirista, passou pela Rede Manchete (1992-1993), até chegar à Rede Globo, em 1997.

José Paulo de Araújo: Nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 1966. Graduado em letras anglo-germânicas, com mestrado em lingüística aplicada. Professor de inglês, desenvolve hoje um projeto de ensino e pesquisa em educação a distância via Internet.

Renato Modernell: Da cidade portuária de Rio Grande/RS, onde nasceu em 1953, mudou-se para São Paulo aos dezoito anos. Formou-se em jornalismo. Tem oito livros publicados, incluindo o elogiado romance Sonata da última cidade (Best-Seller, 1988) - "o maior e melhor romance de São Paulo jamais escrito" (Wilson Martins). A biografia romanceada que escreveu sobre o compositor Astor Piazzolla lhe valeu o prêmio da Academia de Lisboa.

Sérgio Repka: Nasceu em Curitiba em 1965. Depois de dez anos de advocacia, resolveu trocar a profissão pelos estudos de cinema em Londres, o que faz até hoje. Desde que começou a escrever até o lançamento de "Gauche", nesta edição, já se vão quinze anos.