A ESCRITURA INQUIETA
Neiva Pitta Kadota

Prefácio de Fernando Segolin
160 p. | 14 x 21 cm
ISBN: 85-7448-012-6
R$ 27,00

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Do prefácio de Fernando Segolin

"E aqui, como em Barthes, a escritura dança, e nela os signos, e com eles o homem e o mundo, o escritor e o leitor, na voragem transfiguradora da liberdade e da utopia. E aqui, como em Barthes, não há fim nem começo, nem significado ou significação, mas antes significância ou errância do sentido; nem dia nem noite, mas antes o prenúncio do amanhecer possível do signo, do texto, do homem e do mundo: a escritura como fênix a renascer das cinzas da linguagem."

 

O livro

Oportuna incursão pela linguagem: a partir das dicotomias saussureanas, esta obra chega às noções de enunciação para, daí, tentar esmiuçar o conceito de escritura, expressão criada, nessa acepção, por Roland Barthes, o semiólogo francês que perseguiu em todo o seu percurso crítico-literário o que denominou de grau zero da escritura, ou texto de fruição, aquele que se apresenta como um texto também por ele nomeado órfico, ou seja, uma forma de dizer o mundo sem jamais se repetir, sem olhar para trás, para o que já foi dito. Similar ao mito de Orfeu, no Hades, que de lá só poderia sair com sua amada se, em seu trajeto de retorno, resistisse ao desejo de voltar o rosto para ela. Este o estigma de Orfeu e também o estigma da escritura: não se voltar para o objeto amado.

Esse projeto e essa prática barthesiana são aqui revistos com o intuito de revelar a postura crítica e criativa do escritor que, num exercício de renovação contínua na estrutura descontínua e desviante do dizer, ousou afastar-se o mais possível dos estereótipos, apoiado em uma forma poética que se quis sempre inaugural, ciente de que dizer o mesmo é nada dizer e repetir-se é também cair nas armadilhas da ideologia que perpassa toda linguagem, provocando uma acomodação das idéias e, em paralelo, um emudecimento da voz.

Atividade escritural transgressiva é o que a autora observa na fala de Barthes, uma fala que, através do poético busca alcançar o político, encontrando eco, segundo ela, na escritura de Julio Cortázar, Clarice Lispector e Octavio Paz, cujas vozes, também aqui registradas, entram em sintonia com o texto intransitivo de Barthes, em um processo intertextual, eliminando distâncias e diferenças geográficas e culturais, e aproximando, assim, o semiólogo francês destes que são, sem dúvida, alguns dos melhores escritores latino-americanos.