MEIO AMBIENTE BRASIL
Avanços e obstáculos pós-Rio-92

Organizadores: Aspásia Camargo (CIDS-EBAPE-FGV), João Paulo R. Capobianco (ISA) e José Antonio Puppim de Oliveira
464 p., 16 x 23 cm
ISBN-10: 85-7448-061-4
ISBN-13: 978-85-7448-061-9
R$ 67,00

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Passaram-se mais de dez anos desde a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco 92 ou Rio-92, considerada a mais importante reunião mundial do final do século XX. Para avaliar a evolução dos acordos e decisões que daí resultaram, vai se realizar em agosto e setembro de 2002, na cidade de Johannesburgo, África do Sul, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. Não há dúvidas quanto a sua importância como momento de reflexão internacional sobre os avanços e entraves verificados na última década para a implementação das ações necessárias a tornar realidade o desenvolvimento sustentável, a palavra de ordem da Rio-92. No entanto, para que esta reflexão seja possível e eficaz, é imprescindível que os países membros da ONU façam seus balanços nacionais e colaborem ativamente com a avaliação mundial.

Com o objetivo de fazer uma avaliação de como evoluíram as discussões e implementações dos resultados da Rio-92 no Brasil, o Instituto Socioambiental (ISA) e o Centro Internacional de Desenvolvimento Sustentável (CIDS) da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE) da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a editora Estação Liberdade e com patrocínio da Fundação Ford do Brasil, propuseram-se a organizar a presente publicação.

Procurou-se reunir o maior número de informações atualizadas sobre questões ambientais relevantes para o País, além de analisar de que forma foram tratadas nos últimos anos, segundo as opiniões de mais de cinqüenta especialistas da Academia, setor empresarial, movimentos sociais e ONGs, em um amplo espectro que incluiu dos grandes empresários aos trabalhadores rurais. A partir desse trabalho coletivo foi construída esta publicação baseada nos consensos e dissensos desse grupo tão diverso de atores sociais.

Em consonância com o espírito didático abrangente e de diferentes enfoques que a caracteriza, a obra foi dividida em três partes, constituídas de um artigo inicial de seus organizadores apresentando um panorama genérico da situação ambiental no País (Parte I), de seis artigos de especialistas versando sobre assuntos relacionados à implementação dos acordos da Rio-92 (Parte II), e por fim um grande painel onde representantes de setores da sociedade debatem os temas biomas brasileiros, agricultura sustentável, biodiversidade, meio ambiente urbano, recursos hídricos, energia, responsabilidade socioambiental das empresas e produção e o consumo sustentável, após uma exposição das questões básicas em cada área (Parte III).

 

Trechos

“(...) temos o dever sagrado de assegurar a vitalidade, a diversidade, a integridade e a beleza de nossa Casa Comum. Para isso precisamos refazer uma nova aliança com a Terra e refundar um novo pacto social de responsabilidade entre todos os humanos, radicado numa dimensão espiritual de reverência face ao mistério da existência, de gratidão pelo presente da vida e de humildade diante do lugar que o ser humano ocupa no conjunto dos seres.”
Leonardo Boff, p. 53, “Um ethos para salvar a Terra”.

“A comunidade científica em geral concorda que esse aumento no efeito estufa já está tendo conseqüências sérias para a vida na Terra, já que os ecossistemas são frágeis e dependem de um equilíbrio delicado do clima. Cinco dos anos mais quentes já registrados ocorreram durante a década de 1990. As calotas polares estão encolhendo, assim como as geleiras alpinas. O nível do mar está começando a subir. Furacões e tempestades tropicais são mais freqüentes. O aquecimento episódico na região sul do Oceano Pacífico (chamado El Niño) tornou-se mais freqüente e intenso, provocando períodos de seca severa no Nordeste brasileiro, na Amazônia e no sudeste da Ásia.”
Márcio Santilli, Geórgia Carvalho e Daniel Nepstad, p. 63, “O Brasil e as mudanças climáticas globais”.

“Os números impressionantes da destruição da Mata Atlântica demonstram a inexistência de políticas de conservação ambiental no País e a falência do sistema de fiscalização dos órgãos públicos. É bom lembrar que estes desmatamentos não estão ocorrendo em regiões distantes e de difícil acesso, ao contrário, derrubam-se enormes áreas de florestas impunemente a poucos quilômetros de cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.”
João Paulo R. Capobianco, p. 135, “A situação dos biomas brasileiros”.