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Foucault: uma intervenção sobre o presente
Em 1966, pouco depois da publicação de As palavras e as coisas, a revista Le Nouvel Observateur estampou a manchete “Foucault como pãezinhos”, comentando o fenômeno de vendas em que a obra tinha se transformado.
A publicação de Vigiar e punir, em 1975, teve igualmente uma tão grande repercussão que não se pode separar os efeitos acadêmicos do livro de seus efeitos políticos.
Foucault não se interessava pelas “superfícies” e sim pelas “profundezas” dos domínios do saber – lá onde acontecem as rupturas que fazem que, sob as mesmas palavras, se pense de fato em coisas diferentes. Como pôde esse filósofo nada fácil ultrapassar os limites dos campi e exercer tanta influência sobre a sociedade e o pensamento contemporâneos, e levar a que a maioria das discussões sobre os caminhos da psiquiatria, da medicina e das prisões tenham no horizonte a sua obra?
Neste livro, Pierre Billouet assume o desafio de apresentar essa obra restituindo sua dinâmica interna (em que todo livro de Foucault é encadeado aos precedentes) e a externa (em que todo livro é encadeado ao mundo e a seu tempo), seguindo a ordem cronológica e fazendo uma longa análise, inclusive da repercussão, de cada um dos principais trabalhos do filósofo (História da loucura, O nascimento da clínica, As palavras e as coisas, A arqueologia do saber, Vigiar e punir, História da sexualidade) em capítulos que funcionam como verdadeiros guias de leitura dos escritos desse autor paradoxal.
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Sobre Foucault “A história
das idéias no século XX deveria ser dividida em duas partes:
antes e depois de Foucault.” “O rigor, a originalidade, a
inspiração de Michel Foucault são tais que é
infalível surgirem da leitura de As palavras e as coisas uma
visão radicalmente nova do passado da cultura ocidental e uma
concepção mais lúcida da confusão de seu
presente.” “A inteligência de Foucault era
literalmente sem limite. Ele instalou seu observatório sobre as
zonas do ser vivo onde as distinções tradicionais do corpo e
do espírito, do instinto e da idéia, pareciam absurdas: a
loucura, o crime, a sexualidade. De lá, seu olhar girava como um
farol sobre a história e sobre o presente, pronto para as mais
desconcertantes descobertas, capaz de tudo aceitar, menos de parar em
uma ortodoxia.” |