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HABITAR SÃO PAULO 168 p. | 14 x 21 cm |
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O livro
Encontrar alternativas para a gestão urbana, em particular para enfrentar a dramática questão da moradia, é hoje um desafio para os administradores das cidades brasileiras. A falta ou a precariedade de habitação não é um problema apenas para os sem-teto, sem dúvida os mais afetados, mas para todos os cidadãos. A ausência de uma política que equacione esta questão gera um processo descontrolado de ocupação de áreas públicas ou de preservação, como os mananciais, que acaba por interferir na qualidade de vida de toda a população. Em São Paulo, onde a dimensão do problema é espantosa — com dois milhões de pessoas vivendo em favelas, seiscentos mil em cortiços e cerca de três milhões em loteamentos ilegais —, o tema torna-se obrigatório para todos os que buscam refletir sobre o futuro da cidade.
Nabil Bonduki reúne neste livro um conjunto de artigos elaborados nos anos 90 para coletâneas, jornais e revistas, em que discute a gestão do município, com destaque para a habitação popular. O autor apresenta sua rica experiência na Prefeitura, em uma reflexão crítica e abrangente, e os desdobramentos desse trabalho, denunciando entre outros o desmonte promovido pela gestão malufista. Aborda também a riqueza de soluções alternativas, como os mutirões autogeridos e a inevitável descentralização administrativo da cidade.
Esperamos poder colocar sob nova ótica, às vésperas de uma nova administração municipal, a contundente interpelação retomada do título de um dos artigos aqui incluídos: “viver em São Paulo ou fugir”.
Trechos
"Ao reunir um conjunto de artigos que apresentam e refletem sobre a questão habitacional e urbana em São Paulo nos anos 90, tomando por referência os programas habitacionais do governo do PT e seus desdobramentos nos anos seguintes, contribui para um maior conhecimento da política adotada, criando uma base de informações e elaborando uma análise que pode contribuir para a avaliação dos rumos que deverá tomar a cidade no próximo período." (da Apresentação)
“Essa iniciativa (os mutirões) gerou uma enorme quantidade de lideranças, técnicos e mutirantes que passaram pelo processo completo de gestão de um empreendimento habitacional e que desenvolveram, surpreendentemente, uma elevada capacidade gerencial, a qual não tinham no início. Os primeiros que passaram por esse processo sofreram com a inexperiência e, malgrado inúmeros problemas que serão apontados a seguir, conseguiram superar o desafio; agora, é muito mais fácil para os novos movimentos, que podem usufruir da experiência acumulada por lideranças e técnicos.” (p. 51)
“A qualidade do programa e seus resultados impuseram-se diante da oposição política de uma administração que rejeitava a participação popular e a autogestão e que realizava todas as suas obras contratando grandes empreiteiras.” (p. 53)