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HEGEL Coleção Figuras do Saber |
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A obra
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) é, com Platão, o mais aviltado de todos os filósofos. Ele que desejava afirmar o poder do negativo para tornar fluido o pensamento enclausurado de Kant, foi criticado por dizer tudo e seu contrário; sua grande ferramenta conceitual, a dialética, por meio da qual ele pretendia entender os caminhos do espírito em suas diversas encarnações (arte, religião, história, saber), viu-se caricaturada na mais do que famosa tríade “tese-antítese-síntese”; e, a partir de seu interesse pela luta de vida ou morte da qual surgem o “mestre” e o “escravo”, atribui-se a ele uma queda pela dominação...
Esta obra pretende fazer
justiça a Hegel, filósofo da racionalidade vigilante, da liberdade
concreta e da paciência do conceito. Ela aborda primeiro A ciência da
lógica, depois a Fenomenologia do espírito e se interessa finalmente
pela posteridade vivaz desse pensador complexo e incontornável que,
após ter dominado todo o século XIX, viu sua influência
confirmada no século seguinte: de Marx a Lacan, passando por Kierkegaard,
Nietzsche, Kojève.
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Sobre Hegel “Para Hegel o objeto do pensamento é: o pensamento enquanto tal.” (Martin Heidegger) “Hegel fecha seu sistema em torno da história, mas as filosofias passadas continuam a respirar nele, a se movimentar nele; ele fechou com elas a inquietude, o movimento, o trabalho da contingência.” (Jacques Merleau-Ponty) “Foi Hegel quem colocou em primeiro
plano, no século XIX, a idéia de evolução da
Natureza e do Espírito, quem definiu o caráter histórico
do pensamento, da filosofia e da cultura, e quem mostrou existir, em
cada época, uma conexão orgânica, que varia conforme
mudam as condições do desenvolvimento humano, entre a arte, a
religião e as ciências. Foi Hegel, finalmente, o
intérprete da concepção romântica do mundo e o
reformulador da dialética, à qual atribuiu a importância
de método integral da filosofia.” (Benedito Nunes) |