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UMA ESTRELA CHAMADA
HENRY Tradução de Lidia Luther |
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Segundo vários jornais britânicos e norte-americanos, a obra-prima de Roddy Doyle.
Nascido nos esgotos de Dublim em 1901, filho de um segurança de boate de perna única e matador profissional, Henry Smart tem que amadurecer rápido. Assim que consegue andar, já sai para roubar, pedir esmola, sempre com frio, eternamente com fome, mas sem perder a majestade nas ruas. Aos 14 anos, já com 1,75 m de altura, Henry está no Correio Central na segunda-feira de Páscoa de 1916, soldado do Exército Civil Irlandês, lutando por liberdade. No ano seguinte, está disposto a morrer pela Irlanda mais uma vez: rebelde, feniano e logo um guerrilheiro urbano. Usando a perna de pau de seu pai como arma, Henry torna-se um herói republicano, um dos garotos de Michael Collins, um exterminador de policiais, um assassino pedalando sua bicicleta roubada.
Um romance histórico-político como nunca antes visto. Uma estrela chamada Henry marca um novo capítulo no trabalho de Roddy Doyle. É um livro bem mais ambicioso do que qualquer outro que escrevera antes. Um olhar subversivo sobre as lendas do republicanismo irlandês, com uma bela história de amor permeando a trama. Um trabalho de ficção estupendo.
Trechos
"Eu podia ouvir o silvo maligno enquanto a chuva e as mangueiras dos bombeiros sufocavam as chamas. As pessoas corriam para fora dos apartamentos acima das lojas. Fiquei olhando o fluxo ininterrupto de gente carregando nas costas pedaços e nacos de propriedade irlandesa. Dois homens passaram rolando um tonel de cerveja preta. Umas vinte pessoas marchavam com um longo rolo de carpete sobre os ombros; devia ter sido arrancado de um dos hotéis e, com as chamas de pano de fundo, a procissão parecia uma centopéia enorme e sem cabeça." (p. 137)
"E lá estava ela, em meio a todo o caos, surgindo das chamas mais escuras, a puta velha desalmada, vovó Nash. Carregava uma muralha de livros, dois deles abertos no topo da pilha, e ela lendo, um olho em cada livro, enquanto caminhava por Sackville Street. Parecia chamuscada e quase destruída, mas se movia como uma criança sonhadora a caminho da escola. E eu a aplaudi. Gritei com toda a força, mas ela não tirava os olhos dos livros. (...) E aguardamos. Aguardávamos para avançar ou atacar. (p. 142)
"Meus pés estavam feridos e sangrando. Um pedaço de minha sobrancelha estava pendurada sobre meu olho esquerdo. Meu queixo doía, meus dentes estavam frouxos, alguns eu tinha perdido. Eu tinha costelas quebradas, dedos esmagados. Minhas costas me matavam. Minha orelha estava rasgada. Meus culhões estavam inchados e berrando. O gelo e os fios ásperos de meu paletó de Templehouse agrediam as queimaduras no meu peito e pescoço. Não sabia se algum dia eu voltaria a dormir. Estava velho." (p. 341)
Doyle na imprensa estrangeira
"Doyle no seu melhor... seu retrato do lado escuro de Dublim na virada
do século é espetacular. Há uma riqueza Dickeniana na linguagem
e no caráter."
The Times
"Esse é mais famoso escritor vivo da Irlanda se atracando com um
dos períodos mais cruciais de sua história... Uma estrela chamada
Henry tem todos os pré-requisitos de qualidade para o gigantesco retrato
literário dos fundamentos de uma nação."
The Guardian
"Tanto no ritmo quanto no vigor de seu diagnóstico de tudo o que
está errado na idéia que a Irlanda faz de si, esse romance é
semelhante a O tambor de Günther Grass e Longa jornada noite adentro de
Céline. Tal qual essas obras, este é um ato de apostasia brilhante
e de tirar o fôlego... Aqui, enfim, o clichê faz justiça:
está é uma verdadeira obra-prima."
Carlo Gebler, Irish Times
"Doyle melhora a cada dia que passa... Isto aqui é história
trabalhada numa escala íntima e ao mesmo tempo torrencial, com um ritmo
de narrativa que não vacila... Talvez o Grande Romance Americano tenha
de ser escrito, mas eis a prova de seu alicerce... é o épico irlandês,
criado no clímax da eloqüência."
Publishers Weekly
"Brilhante... Nada menos do que uma história social e política
da Irlanda moderna... O que mais surpreende é a vívida percepção
de Dublim que salta das páginas, a severa crítica da luta irlandesa
pela liberdade, e o sentimento para o selvagem e a ternura da vida."
The Sunday Tribune
"Sua mais surpreendente realização até o momento...
Um tour de force."
The Observer
"(Roddy Doyle) provou que pode ser quase qualquer coisa, menos aborrecido.
Dickens encontra Quentin Tarantino neste estudo violento, hilário e finalmente
salutar de uma guerra amadora que jamais cessou... Impossível não
ser cativado pela energia, mordacidade e vastidão criativa da narrativa
de Doyle. O autor entra e sai da História, misturando personagens e eventos
políticos reais com um elenco glorioso de dublinenses excêntricos."
Daily Express
"Como nos romances de Thomas Pynchon, Salman Rushdie
e Don DeLillo, Uma estrela chamada Henry coloca eventos gigantescos e detalhes
ínfimos no que Doyle chama de 'um prisma distorcedor, portanto a realidade
leva uns trancos'. A arte de Doyle faz a História — e a ficção
— reluzirem com brilho."
Newsweek
Depoimento de Roddy Doyle sobre Uma estrela chamada Henry ao Süddeutsche Zeitung (diário de Munique), em 21.2.2000:
"Não queria que Uma estrela chamada Henry fosse lido como uma peça histórica. Por exemplo, deixei de lado fatos muito importantes do levante da Páscoa de 1916, e acrescentei outros. Mudei a seqüência dos acontecimentos. Introduzi "erros" de propósito. As frases que coloco na boca de Michael Collins são fictícias. Me irrita muito quando algumas pessoas acham que se trata de uma irrefutável verdade histórica."
"Sou um cidadão irlandês satisfeito. Estou contente por meus filhos crescerem aqui. Mas não foi sempre o caso. Nos anos 20 e 30 teria me sentido bastante infeliz — pelo menos com minha maneira de ver o mundo hoje. Sei que este país nasceu da violência. Quanto mais me aprofundava na História, mais ficava claro que nossos heróis na verdade não eram democratas no fundo do coração. Não acreditavam em maiorias. Ernie O'Malley, que era considerado o intelectual do IRA, o colocou muito claramente: eles ou convenciam o resto do país, ou o passavam a ferro e fogo. Mas apesar disso mudaram a face do país e fizeram dele uma república. É sobre isso que quis escrever."