IMAGENS DO JAPÃO
Celina Kuniyoshi

160 pp., 14 x 21 cm, ilustrações em cores e p&b
Apresentação de Maria Luiza Tucci Carneiro
Prefácio de Antonio Arnoni Prado
Preço: R$ 28,00
ISBN: 85-85865-95-4

 Compre aqui com nossos parceiros
 Livraria Cultura
 Submarino
 Saraiva
 Siciliano
 Fnac
 

 

Como este país que até a segunda metade do século passado esteve tão isolado pôde influenciar tanto nossas artes, nossa literatura, nossa maneira de ver o mundo? Por que marcou tanto pintores como Van Gogh e Claude Monet, escritores como Lafcadio Hearn, Pierre Loti e Wenceslau de Moraes e nossos próprios narradores viajantes? O que fez com que o Japonismo estivesse tão em voga no Ocidente durante décadas?

Recorrendo a uma multiplicidade de discursos, da antropologia à história, da literatura às artes plásticas, esta obra apresenta uma imagem inédita e sugestiva de um Japão distante e cercado de lendas que até há pouco povoavam a imaginação do Ocidente.

O livro é dividido em quatro partes, além das ilustrações e de uma extensa bibliografia:
- As Descobertas do Japão, um histórico das viagens ao Japão desde os primeiros navegadores;
- O Japonismo, sobre o aparecimento desta importante vertente da História da Arte e suas influências sobre as artes no Ocidente;
- O Japonismo no Brasil;
- Imagens do Japão na Literatura Brasileira de Viagens.

 

Do prefácio de Antonio Arnoni Prado

Ao rastrear esta "utopia de viajantes", o que faz Celina Kuniyoshi é remergulhar numa aura de mistério que perpassa o livro do começo ao fim, instaurando uma espécie de metáfora do ser japonês que nem sempre nós, os ocidentais, compreendemos direito. O resultado, num primeiro relance, é que a miragem distante que este livro persegue confunde-se com um outro Japão que o imaginário dos viajantes moldou, o Japão ou Nihon da simbologia dos tempos, o país do sol nascente, das cerejeiras e dos samurais.

(...) o olhar com que Celina busca nos revelar esse Japão é o olhar fragmentário que move a obstinação dos viajantes, mas que ilumina igualmente a trajetória dos poetas, dos turistas, dos místicos e dos artistas de um modo geral. No conjunto, olhares que se chocam com a abstração imutável dos rituais da cultura japonesa, perscrutando-os nos intervalos possíveis entre o logos e o mito, numa estratégia de espreita muito própria do mistério que teima em não se revelar, ou que só se revela quando já é outra coisa.

Mas esse é apenas um detalhe em face dos caminhos fecundos que Celina nos mostra, em particular quando retoma o tema do japonismo como vertente de influência cultural no Ocidente do entresséculos, que ela desenvolve em direção da literatura, das artes plásticas, dos costumes e das técnicas como instrumentos que, no dizer de Lily Litvak, contribuíram para liberar a arte européia do ilusionista naturalista, do enfoque imitativo e do recorte fotográfico.

Ao leitor interessado no tema, uma contribuição como esta como que reilumina a presença estética do japonismo seja na estilização do vegetal e na valorização da linha e do arabesco como uma nova base gráfica do modernismo, seja na redução pictural dos objetos às suas qualidades mais simples, ou ainda no aproveitamento singular dos cortes diagonais e contradiagonais como elementos de composição.

No caso do Brasil, enriquecida pela leitura de Celina Kuniyoshi, a extensão desta influência dialoga com uma tradição ensaística que começou com o livro clássico de Aluísio Azevedo e chegou aos modernistas, passando por autores como João do Rio, Théo-Filho, Ronald de Carvalho e Oswald de Andrade, para chegar às cartas que Sérgio Buarque de Holanda trocou com o poeta Nico Horigutchi depois de ter escrito sobre ele em 1922 e muito depois de ter mantido um primeiro contato com o célebre pintor Tsugouharu Foujita, então de passagem pelo Brasil em 1932.