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JULIA MANN Dieter Strauss, Maria A. Sene (orgs.), Antonio
Skármeta, Frido Mann, João Silvério Trevisan, Cássio
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Editado sob forma de livro de arte e com contribuições de autores destacados, coloca Julia Mann, a mãe brasileira dos escritores Thomas e Heinrich Mann, no contexto da transculturalidade. Fartamente ilustrado em cores e p&b, o livro também constitui um perfil das sociedades brasileira e alemã da segunda metade do século XIX, contando inclusive com fotografias do acervo da família Mann publicadas pela primeira vez no mundo.
Todos os artigos do livro são inéditos, inclusive a belíssima crônica/conto de Antonio Skármeta escrita especialmente para esta edição.
Dieter Strauss faz uma biografia comentada de Julia Mann, analisando sua herança cultural brasileira e sua vida de menina numa fazenda de Paraty, sua ida para a Alemanha, sua difícil adaptação no norte cinzento em Lübeck e seu florescimento artístico e intelectual em Munique, como autora e como mãe de Thomas e Heirich Mann.
O artigo de Frido Mann, neto de Thomas Mann, sobre o destino da família Mann vem acompanhado de uma série de fotos do acervo de Frido Mann publicadas pela primeira vez no mundo.
João Silvério Trevisan fala de sua percepção do caso Julia Mann no contexto da história da família Mann e da vida em um país estrangeiro, à luz também de suas pesquisas para seu romance Ana em Veneza.
Trechos
Paraty, Lübeck, Munique: as estações na vida rica em contrastes de Julia Mann, a mãe brasileira dos escritores Thomas e Heinrich Mann, ela mesma literata e agitadora cultural, são descritas com numerosas ilustrações que vão desde pinturas de Rugendas e aquarelas de Debret a fotos antigas destas cidades retiradas do acervo de diversos museus e instituições, completadas por material inédito do acervo da família Mann.
"O personagem de Julia (...) é a borboleta sedutora que tanto desestabiliza
quanto redime. Tentar elucidar sua figura enigmática é tentar
compartilhar um pouco o destino do Brasil. (...) A meu ver, Thomas Mann, o filho
da brasileira exilada, vem ajudar-nos a formular o nosso enigma nacional, pela
boca do proscrito mas iluminado Fausto/Leverkhün: 'No fundo só há
um problema, e é este: como se verifica a irrupção libertadora'"
Do artigo de João Silvério Trevisan
"Vamireh Chacón cita o biógrafo Klaus Schröter e sua
apreciação sobre o temperamento de Thomas Mann quando assinala
que a fantasia do genial romancista (...) é desatada pela excentridade
de Julia da Silva Bruhns, que, cinzelada por sua experiência de uma infância
brasileira, teria estimulado em seu filho, com mais força que a rotineira
representação das banalidades comerciais do pai [Thomas Mann],
o gosto pelo extraordinário e pelo exótico."
Do artigo de Antonio Skármeta (O Carteiro e o Poeta)