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COOL MEMORIES II Tradução de Angel Bojadsen |
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Nesses fragmentos, Jean Baudrillard nos convida para uma longa e rica viagem onde, munido de seu olhar irônico e agora todo impregnado de poesia, discorre livremente — sem os cinismos tão em voga — sobre as idiossincrasias contemporâneas.
O cronista Baudrillard circula pela Califórnia ensolarada e cidades desestruturadas, saúda o trânsito maluco de São Paulo, registra à sua maneira a predileção brasileira por formas femininas generosas, cutuca a psicanálise desvairada de Buenos Aires e o mal-estar europeu neste fim de século, comenta o esvaziamento irreversível da política tradicional, vê a Itália e o Brasil como possíveis soluções pois "se pode sobreviver na pior desordem econômica com a condição de não ter estruturas rígidas nem racionais".
E nos leva também para a mais difícil das viagens, a amorosa, onde vemos um Baudrillard cético, como não poderia deixar de ser: "Do ofuscar da sedução ao atolamento conjugal, tudo está na modalidade mais ou menos sutil do aniquilamento sexual". Mas ao mesmo tempo deliciosamente tenro e aberto: "Difícil falar com essa ingenuidade, à luz da distração sensual dessas pernas nuas sob a minissaia preta, e que poderíamos acariciar facilmente sem que se emocionasse".