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A ARTE DO MOTOR Tradução de Paulo Roberto Pires
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Declínio da realidade dos fatos, desvalorização dos tempos locais, poluição das distâncias físicas, nano-tecnologias introduzidas nos corpos, anulação da distinção clássica entre "interior" e "exterior": neste ensaio, da mais urgente atualidade, o filósofo e urbanista Paul Virilio discute a amplitude das novas tecnologias e aponta para os riscos do totalitarismo da colônia global multimidiática. Especialista em questões estratégicas, Virilio mostra claramente como o imperialismo da comunicação em tempo real é um componente essencial do complexo militar-informacional contemporâneo que impõe à sociedade uma noção de informação como algo puramente estatístico.
Amanhã comeremos a técnica, diziam os futuristas. Oitenta anos depois, com o desenvolvimento da micro-informática, grande parte da pesquisa nesse setor está voltada para o desenvolvimento de captadores, sensores e teledetectores cada vez menores e mais performáticos. Verdadeiras "pastilhas inteligentes" que logo poderão ser engolidas dotando nossos corpos de um "ritmo estrangeiro". Aceleração metabólica vertiginosa que, no limite, tende à eliminação de toda substância, de todo traço, de toda extensão, podendo nos levar a uma inusitada experiência da desmaterialização cujas conseqüências são imprevisíveis. Mas, atenção: a corrida é sempre eliminatória, adverte Virilio.
Toda a história moderna é ligada à invenção de motores. Do motor a vapor ao motor informático e à inferência lógica, passando pelo motor elétrico e pelo motor a explosão, as relações de produção e nossa informação sobre o mundo foram definitivamente transformadas. Hoje, em plena era da "informação total", mas paradoxalmente marcada pela "industrialização do esquecimento", este livro capital nos lembra que cada um desses motores modificou radicalmente nossa percepção. A arte é uma Arte do Motor.
Texto de Hermetes Reis de Araújo.