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ORGANIZAÇÕES NÃO-GOVERNAMENTAIS Prefácio: Emir Sader 128 p., 14 x 21 cm ESGOTADO ISBN: 85-85865-17-2 |
"A experiência histórica e a experiência cotidiana nos ensinam que 'ordem' e 'liberdade" são dois bens em contraste entre si, tanto que uma boa convivência somente pode ser fundada sobre um compromisso entre um e outro, de modo a evitar o limite extremo ou do Estado totalitário ou da anarquia."
O dilema nomeado por Bobbio pode ser tomado como emblemático das relações entre o poder público e a Sociedade Civil, expresso em grande parte no surgimento das organizações não governamentais nos anos 80.
No decorrer desta década, as ONGs passaram a ocupar lugar de destaque como articuladoras e representantes das aspirações sociais que eram ignoradas ou desatendidas pelo Estado. A ação das ONGs foi responsável pela inscrição, no cenário político, de temas tais como os direitos de minorias ou a preservação ambiental. Ao defender essas causas, ganharam lugar no campo social. Ao agir em seu nome, passaram a suprir as deficiências do próprio poder público, ora vinculando-se, ora contrapondo-se a ele.
Há os que defendem que sua ação deve ser regulamentada pelo Estado, dado que o caráter de sua atividade - articulando grupos e interesses - tem feição eminentemente pública, além de contar eventualmente com o financiamento de recursos públicos. Há os que colocam as ONGs como espaço eminentemente liberto das amarras públicas, já que representam o lugar da inovação e de emergências dos novos anseios sociais.
A questão está aberta e este livro não pretende concluí-la. Aqui são apresentados argumentos vários, como forma de contribuir para o debate e iluminar uma discussão que, embora necessárias, apenas está iniciada.