
OSIRIS, O DEUS DE PEDRA
Gozo Yoshimasu
128 pp., 21 x 28 cm
Versão do original japonês: Antonio Nojiri
Projeto gráfico: Tomie Ohtake
ESGOTADO
ISBN: 85-85865-53-9
As cem estrofes encadeadas de Sogi, feitas no século XV com a colaboração dos
seus discípulos, é o clássico exemplo do renga na intensa, longa e essencial
literatura poética japonesa. Mas o apogeu dessa forma de poesia havia passado
há um século, com Ikkyu e Kokushi. Através da associação de idéias do renso
e da mera alusão que lança pontes sobre as mil cores da vida comum, essa expressão
chega à poesia pura do haikai, ao verso livre, às muitas formas de manifestação
do "grande vazio" que o Zen incorpora, herança remota do chun chi dos
chineses, que ilumina a vida de quem caminha poeticamente pelo mundo.
A poesia de Gozo Yoshimasu denuncia a vida maquinal e a dificuldade de identificar
o presente. Nos seus versos está o pregão do vendedor de rua, a voz do sacerdote,
os timbres do bunralu e do nô. A tradição que habita o cotidiano
moderno é o pano de fundo diante do ual se agita o poeta, frágil mas consciente.
Da geração posterior ao escritos Yukio Mishina, Gozo Yoshimasu é considerado
o escritor mais importante de sua geração, pelo que revela de rebeldia e pelo
que consegue fundir do passado no presente, como quem tenta conhecer suas raízes
e, mais que isso, suas potencialidades. "Tenho comigo o espírito de Bashô",
disse uma vez, quando seus poemas foram comparados aos diários de viagem do
grande haikaísta.
Grande viajante, Gozo Yoshimasu faz no espaço as mesmas bucas que empreende
no tempo. Em Nova Iorque, São Paulo, Bangladseh, diz, faz e vive sua poesia.
os lugares sagrados de Nara, o Egito, a Amazônia, desdobram no seu espírito
a condição do homem que luta para apreender o tempo, para reter o significado,
para abrir as portas do entendimento. Os sons e os silêncios entre os sons significativos
têm para ele o poder da revelação - e isso é passado com imensa força para sua
poesia, como em Osíris, o deus de pedra, Nas profundezas da vegetação
de Setagaya e Em Terra Bravia, que mais que lidos merecem ser absorvidos
pelo coração.