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CAROS PAIS Tradução de Roberta Barni |
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“A publicação de
Caros pais no Brasil me causou muito prazer e uma certa emoção.
Além disso, provocou uma sutil preocupação, já que
o meu livro foi escrito para um país em parte diferente do Brasil, para
uma realidade em parte diferente, para famílias em parte diferentes e
para crianças em parte diferentes também. Os brasileiros não
são todos iguais entre si (como não são iguais entre si
os italianos), mas, além disso, as diferenças de qualidade de
vida, relacionadas à geografia e à distribuição
de renda, são maiores no Brasil do que na Itália. Isto poderia
fazer com que algumas passagens do meu livro parecessem algo destoantes, já
que ele foi escrito para uma sociedade menos desigual economicamente. Ainda
assim, tenho a pretensão de acreditar que a história da criança,
da família e do homem contada neste livro é uma história
bastante universal, suficientemente repleta de passado e de futuro de forma
a compreender também o presente de dois países tão distantes.”
Do prefácio de Franco Panizon
O livro do renomado pediatra italiano é uma verdadeira enciclopédia da saúde da criança. De fácil leitura, atinge todos os aspectos do crescimento infantil, detalhando suas etapas e explicando com extrema propriedade a beleza do desenvolvimento do organismo. O autor aborda todos os capítulos da evolução da criança, indo desde a fecundação, do próprio DNA, até o final da adolescência. Expõe questões relativas a doenças, até as mais graves e complexas, fazendo com que as mesmas pareçam parte natural da própria vida.
Em seu prefácio, João Gilberto Maksoud, professor titular de cirurgia pediátrica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, diz que, ao contrário do que se poderia imaginar, o leitor irá se deliciar com os fatos antes aparentemente complexos da vida da criança, simplesmente porque passará a conhecê-los e, principalmente, compreendê-los.
Pontos principais da obra:
• Um olhar de conjunto
• Programar um filho
• A gravidez
• O parto: o que estava unido se divide, o que estava dividido torna a
se unir
• A criação: o primeiro ano de vida
• Vacinar, não vacinar
• A criação: o segundo e o terceiro anos
• As doenças durante a idade do desenvolvimento
• Algumas observações sobre a nutrição
• Um olhar de conjunto sobre o desenvolvimento
• O processo educacional e seus agentes
• O final da adolescência
Trechos
“Este livro é dedicado à criança do bem-estar, que é a criança de classe média do mundo ocidental na virada do milênio. Suas necessidades, seus problemas, seus recursos vitais, existenciais, de saúde, de nutrição, de desenvolvimento são enormemente diferentes dos de uma criança nascida há cinqüenta anos, ou que nasce hoje na África ou na China... Gostaria de ser um portulano para guiar os pais sem bússula de nosso tempo rico e tumultuoso pelos mares mal conhecidos da criação dos filhos. É um livro simples. Segue uma rota retilínea e clara: da concepção à adolescência; e nas diversas etapas ele se detém para ilustrar particularidades e dificuldades.” (p. 11)
“Acrescentemos mais uma consideração. O mundo ocidental não é o único mundo: e o aleitamento materno também tem outra função ecológica importante, que num livro não destinado a prescrever mas a “fazer compreender” não pode ser negligenciado. O aleitamento materno é o único anticoncepcional natural. Obviamente, como tudo que é natural, não funciona com a segurança e a regularidade de um produto artificial (a pílula): mas estatisticamente funciona muito bem. Se as mulheres africanas não aleitassem durante dois anos, a África correria o risco de ter o dobro da população que tem hoje. E isso também tem um sentido, dentro de um desenho geral, que talvez já não tenhamos capacidade de compreender.” (p. 95)
“A coisa mais significativa, talvez, diga respeito aos pais, que pela primeira vez assumem o papel fundamental de quem cuida, de quem assume plenamente uma responsabilidade. Este “cuidar” é a palavra de ordem que o homem transmite de geração em geração; e que será introjetada pela criança, a qual vai se exercitar em seguida a “cuidar” (da boneca, dos soldadinhos de chumbo, do irmãozinho menor, do cachorro da casa) até que, por sua vez, vai assumir a tarefa de criar uma família. Na maneira de desempenhar esta tarefa fundamental, cada qual deve buscar, dentro de seu dever, a sua liberdade, e procurar fazer crescer com raízes sólidas, mas com a liberdade de voltar-se ao Sol, o próprio rebento.” (p. 114)
“Minha receita é: vá para onde seu coração o levar. Que não significa faça o que lhe der na cabeça, mas procure ouvir a si próprio muito bem; e quando você tiver falado e ouvido a si próprio, se você realmente se sentir de acordo consigo próprio, e se sentir que está fazendo uma coisa “por amor”, aquela é a direção certa... Ou ainda: tome cuidado com o que fizer; erre, porque só “quem nada faz não erra”, mas não falte por omissão, por desatenção, porque tem mais o que fazer. Esse, o de fazer seu filho crescer, nesse momento de sua vida e da dele, é o dever mais impreterível e primeiro que você tem.” (p. 141)
“Sou incerto, portanto, sou. Nos séculos passados, ou melhor, nas décadas passadas, a tradição apagava, ao menos na superfície, essa insegurança. As regras educativas (diferentes para o nobre, o burguês, o mercador, o criado, mas sempre explícitas e funcionais) resultavam no produto médio esperado. Mas desde sempre, ao menos assim penso, as mulheres foram capazes de ir além dessas regras, seguindo sempre a mesma receita, indo para onde o coração as levava, e introduzindo, neste produto médio, as matizes da individualidade. Disso os homens não eram capazes e ainda não o são. Os homens pretensiosamente constroem, para um mundo que não conhecem, as regras da “puericultura”, e para superar essas regras as mulheres sempre foram obrigadas a lutar (dentro de si) encontrando consolo e confirmação unicamente dentro de sua misteriosa relação com o filho.” (p. 143)