SUAVE LOUCURA / GENTLE MADNESS
Jürgen Partenheimer

Edição bilíngüe português-inglês
Prefácio de Marcelo Mattos Araújo
Textos de Alberto Tassinari, Ivo Mesquita, Jan Thorn-Prikker e Werner Schnell
Fotos de Benedikt Partenheimer, Jürgen Partenheimer e Wolfgang Grümer
Em colaboração com o Goethe-Institut e
a Pinacoteca do Estado de São Paulo
Capa dura / sobrecapa, colorido (4x4)
120 páginas, 21 x 28 cm
ISBN: 85-7448-103-3
Preço: R$ 60,00

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“Eu parecia estar tomado por imagens e histórias desde a minha tenra infância e eu me lembro de uma bela frase: ‘Tornar-se um artista é como respirar, inalar e exalar'. Sou um sonhador lúcido, receptor de Norte e de Sul.” (Jürgen Partenheimer, em conversa com Ivo Mesquita, pág. 51)

Quando veio a São Paulo no final de 2004 para a montagem de sua primeira exposição individual no Brasil, o artista plástico Jürgen Partenheimer caminhou pela cidade, conheceu algumas peculiaridades da metrópole e, a partir dessa experiência, fez um trabalho de intervenção em locais públicos da capital paulista. Partenheimer “expôs” algumas de suas obras no contexto das ruas e depois fotografou essas cenas. Um de seus quadros, por exemplo, foi colocado numa parede entre um banheiro e dois telefones públicos em local inóspito no pavilhão de exposições do arquiteto Oscar Niemeyer no parque do Ibirapuera.

Esta edição reúne algumas dessas fotografias e também obras que fizeram parte da exposição Suave Loucura , realizada de dezembro de 2004 a janeiro de 2005 na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Acompanhando as imagens estão textos de Ivo Mesquita, curador do projeto Octógono na Pinacoteca do Estado de São Paulo, do crítico de arte Alberto Tassinari, do professor de história da arte moderna e contemporânea na Universidade de Göttingen Werner Schnell e do editor do Kulturjornal, boletim do Goethe-Institut, e crítico de arte Jan Thorn-Prikker. O prefácio é de Marcelo Mattos Araújo, diretor da Pinacoteca.

A obra

Suave Loucura, a exposição de Jürgen Partenheimer na Pinacoteca do Estado de São Paulo em parceria com o Goethe-Institut São Paulo, no ano de 2004, coroou um trabalho conjunto, iniciado em 2002, da instituição e do artista para criar um projeto específico para a cidade.

O trabalho de Partenheimer, surgido na Alemanha no início da década de 1980, revela a profunda experiência do artista em suas atividades artísticas, que incluem pintura, desenho, escultura, e também passeiam pela teoria, pela poesia e pela prosa como a sua gramática de referência para a expressão artística. Partenheimer se aproxima do seu tema no limite de sua corporalidade, bem no ponto de transição entre a sua materialidade e a sua imaterialidade. Seu trabalho é caracterizado por uma qualidade abstrata que parece expressar um estado de incerteza e inconsistência, sedutoramente trazendo à tona as certezas pré-concebidas do espectador.

Jürgen Partenheimer está entre os mais renomados artistas alemães de sua geração. Desde sua participação na Bienal de Paris em 1980 e na Bienal de Veneza em 1986, sua obra tem sido mostrada pelo mundo afora.

Trechos

“Partenheimer é um seguidor da grande tradição da modernidade, desenvolvendo sua obra a partir das bases da abstração. Embora parte da geração de pintores alemães que trabalharam com a pintura num movimento deliberado de re-visitar o meio e a sua história, seu projeto estético não tem nenhum intuito de reciclagem ou revisão, nem se utiliza de estratégias de apropriação ou desconstrução. Sua prática inscreve-se naquele segmento da produção artística que investe na manutenção do funcionamento do campo e numa disposição de dar continuidade aos valores e temas que sempre ocuparam as grandes obras da humanidade: a beleza, a imaginação, os sonhos como forma de ordenar e interpretar uma realidade desafiadora da vontade dos homens.” (Marcelo Mattos Araújo, no prefácio da obra, p. 7)

“Imagens não conseguem reter instantes, tampouco comentam a ausência do que está reproduzido. Antes, mostram a presença do que foi sentido, como uma presença da consciência, quanto às causas [aitía] e aos princípios [archai], conforme Aristóteles apresentou no primeiro livro de sua metafísica. Imagens são projeções das sensações; simbolizam nossa imaginação e nossos sentimentos, dando-nos uma idéia do mundo visto e pensado. Os sinais visíveis das conversas e falas, dos sonhos e das fantasias, dos projetos e dos planos da imaginação reúnem inúmeras formas inventadas, dando-lhes a expressão, a proteção e a nudez de todas as cores.” ( Jürgen Partenheimer , p. 17)

“[...] o que eu espero de São Paulo? Eu não conhecia a cidade, mas eu sempre li sobre ela e ficava bastante intrigado pela forma como ela era vista fora do Brasil, e mesmo dentro do Brasil. As pessoas dizem que a cidade é monstruosa, feia e não tem um rosto. Eu vejo que essa cidade transmite uma energia incrível e um fervilhamento impressionante, o que eu considero bastante inspirador. Eu acho que a artificialidade e a abstração da cidade foram o que mais me deixaram intrigado, e também sua energia e vitalidade, que você apontou como sendo anônimas. O anonimato é o desafio.” ( Jürgen Partenheimer , em conversa com Ivo Mesquita , p. 62)