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A
PERDA DA IMAGEM OU ATRAVÉS DA SIERRA DE GREDOS Tradução: Simone Homem de
Mello |
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Numa
época indefinida de um século XXI já avançado, uma banqueira – “a
princesa das
finanças” –, que vive numa cidade portuária do noroeste europeu, pega
um avião
com destino à região espanhola da Mancha, que Miguel de Cervantes
tornou tão
famosa. De lá, dirige-se à Sierra de Gredos. Sai em busca de um
escritor que
contratara para narrar sua história. Depara-se com uma cidade,
imaginária,
cujos habitantes – uma curiosa galeria de personagens – experimentam
uma perda
total de imagens, idéias, ritos, sonhos, ideais e leis. Um efeito do
mundo que
os rodeia, no qual as mudanças climáticas são um fato, as guerras são
contínuas, as sociedades se agrupam em âmbitos locais e os meios de
comunicação
inundam as vidas cotidianas.
O
romance discute o papel dos meios de comunicação que moldam grupos
humanos
uniformes e vê a propagação de imagens como geradora de grandes vazios
de
conteúdo. Uma história sobre o entusiasmo perdido e reencontrado.
O
grande escritor austríaco, sempre nas listas dos nobelizáveis, nos
entrega aqui
uma vasta reflexão sobre a validade da escrita e sobre a posição de um
autor no
momento de se entregar a seu ofício: composição de personagens, escolha
da
ambientação, situação no tempo. Mas para tanto compõe uma obra de
grande
complexidade que focaliza o mundo imagético de hoje e a perda dos
registros
tradicionais, como se tudo estivesse borrado, descartado e todos
estivessem
dessensibilizados e perderam a noção do tempo e dos registros, tratando
de
recuperá-los. Titanesca literária busca de um autor que se recusa a não
se
recolocar em cada uma de suas obras.
A
perda da imagem ou Através da Sierra de Gredos foi bem
recebida pela crítica em língua alemã. O prestigioso jornal Süddeutsche
Zeitung
considerou a novela como “o grande contra-livro” frente ao realismo
fácil que
impera hoje na literatura alemã e “a reconquista das pás dos moinhos”
de Dom
Quixote.