A obra
Simon,
psicólogo da filial francesa de uma empresa alemã, recebe a tarefa de
investigar a sanidade mental do diretor-geral da filial, Mathias Jüst.
Atribuída por Karl Rose, um outro diretor, a missão — que aparentava ser o
reflexo de uma guerra particular entre poderes empresariais — é aceita pelo
psicólogo num misto de relutância e curiosidade, e suas implicações morais
acabam por dominá-lo, desestabilizando sua existência. Uma
rede de intrigas se desvenda aos olhos de Simon por meio de misteriosas cartas
anônimas e das tensas ligações entre os integrantes do extinto quarteto de
cordas da empresa SC Farb. As mulheres da trama, Lynn Sanderson, secretária de
Jüst, e a esposa deste, Lucy, são apenas peças deprimidas sob o jugo das
condições de homens atormentados por seu passado de delitos e traumas,
ocasionados pela “solução final” do nacional-socialismo alemão. Uma
rede de intrigas se desvenda aos olhos de Simon por meio de misteriosas cartas
anônimas e das tensas ligações entre os integrantes do extinto quarteto de
cordas da empresa SC Farb. As mulheres da trama, Lynn Sanderson, secretária de
Jüst, e a esposa deste, Lucy, são apenas peças deprimidas sob o jugo das
condições de homens atormentados por seu passado de delitos e traumas,
ocasionados pela “solução final” do nacional-socialismo alemão.
Assim,
esta breve e intensa ficção com base em documentos reais adquire, ao lado do
suspense investigativo, a virtude e a profundidade de narrativa psicológica ao
caminhar pelos meandros da consciência de personas
dilaceradas e aludir à música como metáfora do domínio e da loucura, tendo como
pano de fundo determinados eventos do Holocausto e, por extensão, a “questão
humana”, cuja importância, lembra Jüst, não pode ser ignorada.
Levado
às telas do cinema pelo diretor francês Nicolas Klotz, em 2007, A questão humana compõe, em última
instância, um libelo desmascarador da intolerância, da lógica opressora do
aparentemente mais forte contra o mais fraco; um relato sutil de um homem
sitiado que, enfim, se desvencilha de um mundo sombrio de cujos ideais descobre
não mais compartilhar, para então se colocar no limite entre a realidade e o
desapego.
Elisa
Andrade Buzzo |