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RIMBAUD DA AMÉRICA e outras iluminações Maurício Salles Vasconcelos Prefácio de Italo
Moriconi |
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A obra
Importante e inédita abordagem da obra de Rimbaud como precursor da modernidade. Sobressaem-se em definitiva sua análise do fenômeno "Rimbaud pop", sua influência duradoura e indelével sobre vários monstros sagrados da cultura (ou contracultura...) popular norte-americana, como William Burroughs, Jim Morrison e The Doors, Patti Smith, Kathy Acker. Notável também sua análise da obra de Rimbaud como poeta-errante por excelência, marcado pela walk writing, e também sua incursão na obra de João Gilberto Noll — ou a "escrita da ação" —à luz de obra rimbaudiana. Analisa ainda aspectos da obra primordial da Rimbaud, bem como estabelece uma relação Rimbaud-cinema. Contém anexos os originais de vários poemas/textos de Rimbaud, filmografia, videografia, etc.
Do livro
"Por ter a marca de uma experiência integral, contendo aí a radicalidade exigida para a composição de um trabalho poético, é que me parece ser a sua obra um guia essencial para a compreensão de algumas criações contemporâneas. Depois da influência, explicitada ou não, exercida pelo poeta sobre inúmeras produções de vanguarda, como, por exemplo, o dadaísmo e o surrealismo, e sobre autores deste século como Antonin Artaud, Saint-John Perse, Georg Trakl, Hart Crane, André Gide, Aimé Césaire, Jorge de Lima, René Char, Henry Miller, Henri Michaux, Georges Bataille, John Ashbery e outros, (...) a criação de um espaço múltiplo de escrita é que parece trazer Rimbaud cada vez mais perto da sensibilidade de hoje. Há um tom de experimentação nessa poética (...). Algo que já se anuncia na subjetividade dos primeiros versos e vai se ampliando pelo modo como sobre a linguagem simbólica da poesia opera uma libertação da imagem, do até então restrito círculo do símile romântico e do repertório melódico e metafórico do Parnasianismo." (p. 21, "Introdução")
"Não somente realizando letras poéticas, mas afirmando a poesia na mesma proporção que a música, (Patti) Smith acaba por demonstrar que no pop tem havido, de três décadas para cá, uma das possíveis traduções de Rimbaud. Tal atitude propicia um modo de criar e vivenciar a literatura fora de um entendimento estritamente escrito, livresco (...). A atmosfera cultural americana — e, progressivamente, planetária —, impregnada pelo pop na música, como também nas artes plásticas/gráficas e no cinema, contaminou a zona quase sempre refratária da atividade literária às influências culturais populares, principalmente quando este popular vem mediado pelo controle de corporações financeiras em suas manifestações mass media. No entanto, a poesia convive com o mer-cado, tal como se ouve e lê na obra de Patti Smith, que começa pela literatura, penetrando depois no circuito da música como rocker, e retornando, já nos anos 90, à publicação mais regular de seus escritos, sem interromper a troca entre atividades aparentemente díspares." (p. 207, "Rimbaud pop")
"Mauricio (...) não se propõe como uma discussão con-ceitual sobre modernidades, e sim como verdadeiro rito pro-piciatório destinado a revitalizar inquietas virtualidades do moderno. Como diz Kathy Acker, prosadora americana pós-modernista aqui estudada, em nosso tempo a imagem básica do poeta enquanto ser selvagem ("sangue ruim") ficou associada ao mito de Rim-baud. (O autor) mostra bem como o lugar de Rimbaud na contem-poraneidade é um lugar de contínua apropriação de obra-vida. Demonstra com precisão que os grandes apropriadores de Rimbaud (Burroughs, Kathy Acker, Jim Morrison, Patti Smith, Deleuze, Godard) dispõem e redispõem de seu espólio de maneira completamente canibalizadora. No veio Rimbaud da modernidade ocidental, lugar de fuga como quer Mauricio Salles Vasconcelos, vige a antropofagia, a devoração/incorporação do totem e do tabu." (do prefácio de Ítalo Moriconi)
"Vislumbro neste Rimbaud da América e outras
iluminações, o dramático rito de passagem da leitura concentrada
e reificadora de um único texto (o famoso close reading) para uma rede
comparativista de similitudes/dissimilitudes e conexões muito mais apta
para penetrar na poética da indeterminação da cultura contemporânea.
"Partindo do mais decisivo corte, da cunha inaugural, do mais seminal hino
às possibilidades da poesia moderna — Arthur Rimbaud — neste
livro são escrutinados ícones como William Burroughs, Kathy Acker,
o grande xamã pop Jim Morrison, Patti Smith, João Gilberto Noll,
e até a nossa revista Navilouca comparece como exemplar tradução
do barco bêbado. O autor sabe fiar aqui cruzamentos vorticistas em uma
trama movente, movediça e prolífica de sinais destarte inventando
e evidenciando um papel menos passivo para o crítico pois o crítico
hibridizado de poeta vê seu campo aberto para participar também
da partilha do roubo do fogo. Cine, clips, cut-ups. Com sua sensibilidade, seu
destemor pelo experimental e portando uma acerada sonda mergulhadora que vai
fundo no seu cineticismo irradiante, o nômade trans-figu-rador Mauricio
Salles Vasconcelos honra e trai Rimbaud porque se revela um genuíno ladrão
de fogo. (...)" (da "orelha" de Waly Salomão"