RITUAL
Carlos Miele

Fotos de Gal Oppido
Texto de Vitoria Daniela Bousso
112 p, 20 x 30 cm
ISBN 85-7448-070-3

R$ 45,00

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Carlos Miele discute o corpo desde suas dimensões físicas e eróticas até as espirituais.

Criador multidisciplinar, Carlos Miele assume diversos projetos, em diversas áreas além do universo da moda – sobre o qual o historiador e crítico Colin McDowell, do The Sunday Times, afirmou que o brasileiro “agora se estabeleceu como um designer de classe mundial”.

Esta foi a primeira experiência de Miele escrevendo um roteiro e dirigindo um espetáculo para o palco. Ele uniu dança contemporânea, videoinstalação, música e moda conceitual, resultando em um trabalho que está longe de abrigar qualquer tentativa de linearidade.

O artista orbita, com o foco na realidade brasileira, ao redor das condições sociais vividas por um “homem urbano”, evidenciando paradoxos que vão dos rituais primitivos ao mundo digital. Valendo-se da tecnologia de ponta e parafraseando a trajetória da arte no século XX, essas contradições se apresentam em três atos: morte, libertação e celebração da vida, e formam o arcabouço que dá guarida à angústia do sujeito contemporâneo por meio da criação de um imaginário que se materializa no jogo semiótico entre o corpo e suas representações.

Este rito editorial intermediado pelas lentes do fotógrafo Gal Oppido constitui a celebração de um espetáculo multimídia criado e apresentado por Carlos Miele no The John F. Kennedy Center for the Performing Arts, EUA, em 2002.

 

O livro e o espetáculo

Do corpo primitivo ao corpo digital. A arte do século XX preocupou-se em representar o corpo. E, no novo milênio, como ele está sendo pensado e tratado? Qual a sua imagem e sua forma? Qual a sua representação no imaginário dos artistas contemporâneos? Ritual, espetáculo multimídia criado pelo artista Carlos Miele no início de 2002, nos leva a refletir sobre algumas dessas questões, discutindo o corpo desde suas dimensões físicas e eróticas até as espirituais. A produção artística de Miele eventualmente tem origem no trabalho de design de moda. Este espetáculo foi criado a partir do design de uma série de cinco figurinos que, no conjunto, chegam a construir uma poética da indumentária. Não são roupas para o uso cotidiano: são roupas-objeto pensadas para corpos em movimento criarem formas e volumes casuais, proporcionando diferentes configurações do corpo. Elas foram especialmente concebidas para questionar uma série de situações que emanam do dia-a-dia das grandes metrópoles, tais como a violência social, o embate entre as elites e o fluxo populacional, os rituais de sobrevivência e os processos caóticos de transformação de um mundo que se pretende tecnológico. Assim, objetos como “Vestidos de Metal Líquido” (1997), “Lucíferos” (1998), “Roupa de Fuga” (1999) e “Vestido de Fibra Ótica” (2000) foram criados com materiais de alta tecnologia para dialogar com os paradoxos entre ficção e realidade, real e virtual, supertecnologia e subdesenvolvimento, tradição e contemporaneidade.