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TRÂNSITO 276 p., 14 x 21 cm |
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Um jovem psiquiatra vê um padrão por trás de uma série de mortes aparentemente acidentais. Inicialmente motivado por interesse médico, ele parte em busca de uma explicação para os acidentes. Sua forma amadora de buscar evidências e verificar suspeitas acaba facilitando as investigações e permitindo que ele amarre os fatos em uma teoria surpreedente.
Mas há uma outra trama. Intercalações na história mostram a evolução interior do protagonista. Formam uma narrativa que aos poucos gera sua própria tensão, ajudando a compreender não só os acidentes como as motivações que levaram o psiquiatra a tentar desvendá-los.
Do prefácio de Moacyr Scliar
Mortes misteriosas ligadas a um certo distúrbio mental. Médico às voltas com estranhos casos. Um caso de amor atormentado. Trânsito de Cláudio Csillag, tem tudo para atrair o leitor interessado numa narrativa atual, dinâmica e sobretudo bem escrita. Disto, aliás posso dar testemunho pessoal. Venho acompanhando há algum tempo a carreira deste jovem ficcionista e não deixo de surpreender-me com a sua rápida evolução no sentido do domínio da palavra. Este é o seu primeiro romance, mas os contos que o precederam já davam uma boa amostra de seu talento.
A isto deve acrescentar-se o background de Cláudio Csillag. Jornalista, correspondente internacional, e trabalhando na área de informação científica, ele tem o perfil da nova geração de intelectuais brasileiros, gente que conhece o mundo não apenas por ler a respeito, ou pelo noticiário de tevê, mas por ter vivido no exterior. As páginas iniciais do romance, que descrevem a deportação do personagem da Espanha, já dão uma boa amostra nesse sentido (e, a propósito, falam de um problema muito presente). Mas atualidade, em Cláudio Csillag, não é ruptura com o passado. Suas epígrafes são de Flaubert e Jane Austen; Machado é mencionado constantemente. Ele é um autor familiarizado com as raízes da cultura ocidental e com as grandes questões do nosso tempo (por exemplo, a polêmica Freud versus Jung). De outra parte, é o Brasil dos anos noventa que aparece em suas páginas: o Brasil de megalópoles como São Paulo, o Brasil da violência, o Brasil politizado do PT.
Não há dúvida que, entre a nova geração de escritores brasileiros, Cláudio Csillag tem um papel de destaque. E ele faz a sua entrada no cenário do País de uma forma muito adequada. A Estação Liberdade, editora que sempre foi vanguardista em seus lançamentos, agora registra mais uma vitória com esta grata revelação.