14 Juillet na Estação Liberdade


O 14 juillet é a festa nacional de República Francesa. A data de 14 de julho foi escolhida pois o dia marca a tomada da Bastilha e o início da Revolução Francesa, em 1789.

Para celebrar a data, todos os nossos autores de língua francesa estão à venda com descontos especiais! Use o cupom VLF50 antes de finalizar o pedido para receber os 50% de desconto nos livros da promoção. Os descontos são válidos apenas para pedidos feitos até o dia 22 de julho.

Selecionamos abaixo cinco recomendações de títulos, entre história, filosofia e literatura.

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A Invenção de Paris: a cada passo uma descoberta, de Eric Hazan

O que as esquinas, as muralhas e as calçadas de Paris contariam, se pudessem falar? E quanto aos ilustres e anônimos que viveram, sonharam e morreram nessas ruas, que tipo de cidade eles cantariam se suas vozes ainda ressoassem pelos séculos? Todas essas vozes, histórias, glórias e tragédias estão em A invenção de Paris – A cada passo uma descoberta, do historiador francês Eric Hazan.

Com faro de contador de histórias e rigor de pesquisador, Hazan faz em seu livro uma biografia afetiva e “antioficial” de Paris, passo a passo, século a século, revivendo a história oculta (e, não raro, sangrenta) da capital francesa. O autor produz essa história com base em seu extenso conhecimento da cidade – onde mora desde que nasceu – e também recorrendo aos grandes literatos e artistas que passaram por suas ruas: do épico Victor Hugo ao flâneur poético Baudelaire, das telas de Manet e Degas aos lendários cliques de Brassaï, Atget e Doisneau.

O livro se divide em três partes, sempre pontuadas pelas frases das figuras históricas convocadas por Hazan. Na primeira, “Antiga Paris e Nova Paris”, o autor faz uma anatomia dos bairros parisienses, gastando a sola do sapato e extraindo dos boulevards, ruas e becos as histórias escondidas pelo tempo e pelas sucessivas reconstruções da cidade. A segunda parte, “Paris vermelha”, explicita a vocação revolucionária da capital francesa. O relato aprofundado das barricadas, rebeliões e insurreições que marcaram os últimos séculos propõe uma leitura inédita de Paris, mostrando os conflitos internos como um dos pontos definidores de sua história. A terceira parte é dedicada às artes, à Paris dos flanadores e do começo da fotografia, uma ode a uma cidade que atualmente sofre um processo de museificação e enfraquecimento, como Hazan não deixa de pontuar, afirmando ainda que novas rupturas não deixarão de vir – tradition oblige.

A ideia de “psicogeografia”, cunhada por Guy Debord, permeia o livro, bem como as Passagens e as Teses sobre o conceito de história, de Walter Benjamin. Hazan, que conhece todos os cantos e segredos de Paris, revira cada pedra da cidade para resgatar uma história soterrada, a da Paris das turbulências e da constante reinvenção, que, se depender dele, não será esquecida tão cedo.





As virtudes do fracasso, de Charles Pépin

Em setembro de 2016, o filósofo Charles Pépin lançou seu As Virtudes do fracasso com algum alvoroço: 25 mil cópias voaram das prateleiras francesas em menos de um mês. A Estação Liberdade agora lança a edição brasileira do livro, que usa várias disciplinas para questionar o tabu do fracasso.


As virtudes do fracasso convida o leitor a lançar um novo olhar sobre a importância do erro. Recheado de exemplos, o livro mostra que os fracassos inevitáveis o longo da vida podem ser, em alguns casos, experiências essenciais para a vida pessoal e profissional.

Examinando as biografias de personagens como Abraham Lincoln, Steve Jobs, Thomas Edison, Rafael Nadal, J.K. Rowling e muitos outros, o texto explica as diversas formas como uma adversidade pode ser aproveitada: o fracasso pode nos oferecer informações valiosas sobre algo ou sobre nós mesmos, pode revelar um desejo ou oportunidade oculta, ou, simplesmente, pode nos tornar disponíveis para algo novo.

Pépin dá o embasamento filosófico ao livro convocando Sêneca, Hegel, Kant, Sartre, Nietzsche, Lacan, Freud e outros pensadores, além de se apoiar em sua própria experiência como professor e conferencista. Na convergência do erudito e do popular, As virtudes do fracasso é uma inovadora meditação sobre as adversidades, uma crítica do atual culto ao sucesso e uma defesa apaixonada da ousadia e da resiliência. Afinal, como o autor afirma no livro e em suas disputadas palestras: “é preciso fracassar para se tornar humano.”





Lévi-Strauss, de Olivier Dekens 

Claude Lévi-Strauss (1908-2009), pai da antropologia estrutural, marcou a vida intelectual do século XX pela sua longevidade e pela amplitude de sua obra. O pensador também é célebre na academia brasileira: Lévi-Strauss lecionou em São Paulo e, junto de Mário de Andrade, fundou a primeira sociedade etnológica do país.

No entanto, os grandes eixos de seu projeto científico por vezes são esquecidos. Como compreender a singularidade das teses de Lévi-Strauss sem ter uma ideia do que é o estruturalismo? Como apreender a especificidade de sua obra sem dispor de um conhecimento das disciplinas e das correntes com as quais ela entra em debate: a filosofia, a linguística, a psicanálise, o marxismo ou o existencialismo? Como, enfim, atribuir todo o alcance às pretensões científicas da antropologia estrutural quando se reduz as ciências humanas a uma percepção da realidade social?

A ambição desta obra de Olivier Dekens é responder a essas questões fazendo uma travessia pelos textos de Lévi-Strauss. O autor analisa desde As estruturas elementares do parentesco e A oleira ciumenta, passando por Tristes trópicos, O pensamento selvagem, O cru e o cozido e O olhar distanciado, além de comentar suas viagens antropológicas, entre elas as visitas ao Brasil, e contextualizar o pensamento de Lévi-Strauss com o de seus contemporâneos. Trata-se de compreender, finalmente, por que Lévi-Strauss pode ser considerado um filósofo, mesmo contra sua vontade, na medida em que é um cientista que produz filosofia pelos meios que ele mesmo implementa.





A balada do cálamo
, de Atiq Rahimi

Na prosa lírica de A balada do cálamo, o autor e diretor franco-afegão Atiq Rahimi procura dar forma à experiência traumática do exílio, ao mesmo tempo em que relembra sua história de vida e a autodescoberta como artista. Oscilando entre o presente em Paris e o passado errante, o livro mescla memórias a reflexões artísticas, iluminadas por caligrafias e calimorfias (letras antropoformes) do autor.

A história de Atiq se desenrola em três palcos principais: a Cabul da infância, onde aprendeu a grafar o alfabeto persa com seu cálamo e vivenciou a prisão e a tortura de seu pai. De lá, a primeira fuga foi para a Índia, cuja rica e sensual cultura causou uma revolução interna no adolescente afegão. Por fim, a França, onde recebeu asilo cultural em 1984 e construiu uma carreira premiada como cineasta e romancista, marcada também por traços autobiográficos — Terra e cinzas ecoa a experiência de sua família na guerra civil do Afeganistão; Syngué sabour foi inspirado pelo assassinato da amiga poeta afegã Nadia Anjuman pelo marido.

Esta balada (nome dado a canções narrativas na Idade Média e que em francês significa também passeio) visita estes lugares e tempos reais, mas está centrada no não-lugar do exílio e da lembrança. Em seu autorretrato íntimo, o autor rodopia pelos temas da escrita, do desejo e da guerra, costurando-os com suratas do Alcorão e a poesia sufi, meditações embaladas pelos textos védicos, e diálogos com a arte e a literatura francesa.




Homens e mulheres da Idade Média, de Jacques Le Goff


Homens e mulheres da Idade Média, livro coletivo organizado pelo historiador francês Jacques Le Goff, retraça a época em questão como um tempo “muito mais positivo e mais progressista do que se pensou”, nas palavras do próprio Le Goff, que já se debruçara em diversas outras obras sobre esse tema que tanto o fascina. O livro apresenta um panorama com 112 de seus personagens mais notórios, cujos perfis traçados por Le Goff e equipe não se limitam a resumir a vida e a exaltar os feitos dos retratados, mas mostrá-los como testemunhas da época em que viveram, o que permite novos olhares sobre a História dita oficial, aquela muitas vezes propagada de forma simplista ou reducionista, quando não equivocada, nos livros didáticos.

Cristóvão Colombo, por exemplo, embora fosse um homem tipicamente medieval, “teria ficado muito surpreso que se fizesse dele um inventor da modernidade”, como o livro o analisa. É na Idade Média que, talvez pela primeira vez, verifica-se um certo equilíbrio entre homens e mulheres em suas dimensões históricas. Grande parte disso se deve à mudança de status da figura feminina da perspectiva clerical: a santidade. As mulheres puderam, enfim, se tornar monacais, desempenhando papel decisivo em relação à espiritualidade da época, notadamente no culto à Virgem Maria. Outro foco bem evidenciado é o dinamismo artístico do período, materializado, sobretudo, na produção musical (vocal e instrumental), na pintura e na arquitetura religiosa – embora grande parte daqueles que fizeram da época o “tempo das catedrais” tenham seus nomes ignorados pela História. Homens e mulheres da Idade Média está dividido em cinco partes. A primeira abarca o período entre a Antiguidade tardia e a alta Idade Média, cujo personagem central é Carlos Magno, sagrado imperador pelo papa e que assume a missão de submeter os bárbaros à civilização romana.

A morte de Carlos Magno é o que principia a segunda parte, indo até ao ano 1000, momento em que se afirma a cristandade. A terceira enfoca a fase mais luminosa da Idade Média, não por acaso intitulada na obra como “o apogeu medieval”, quando as cidades aceleraram o desenvolvimento urbano, e as universidades cresciam com a participação dos teólogos. A quarta parte é intitulada “Perturbações e mutações”, ao enfocar o período de transição rumo ao Renascimento, quando pipocam as revoltas campesinas conhecidas por jacqueries, e também algumas movimentações que, de certa forma, anunciam a Reforma protestante vindoura. Para encerrar, há o capítulo sobre “Personagens imaginários”, em que são evocadas figuras míticas como a da Virgem Maria, a do rei Arthur, a de Robin Hood e a de Satã. Le Goff assim justifica a inclusão desses personagens: “Numa sociedade o imaginário tem seguramente tanta importância e eficácia quanto as condições reais da vida e do pensamento”.











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