O austríaco Peter Handke recebe o Nobel por sua "engenhosidade linguística"

Peter Handke é o Nobel de Literatura de 2019!

Nesta quinta-feira (10/10), a Academia Sueca anunciou os nomes dos vencedores do Prêmio Nobel de Literatura. Excepcionalmente, neste ano a Academia anunciou dois premiados de uma vez: a de 2018 e o de 2019.  O romancista, ensaísta, dramaturgo e cineasta Peter Handke, de quem a Estação Liberdade tem dois livros publicados (e mais por vir), ganhou o troféu de 2019 pelo trabalho influente que "com engenhosidade linguística explorou as periferias e especificidades da experiência humana". A honraria de 2018 foi entregue à autora polonesa Olga Tokarczuk. Ambas as escolhas, autores da alta literatura e fora do mainstream, nos parecem importantes.

Handke, que já criticou pesadamente a "instituição" que é o Nobel de Literatura, compartilha este sentimento: "Depois de todas as discussões (…), fiquei espantado. Este tipo de decisão revela muita coragem da parte da Academia Sueca”, foi o que declarou à imprensa em frente à sua residência em Chaville, na região de Paris, França.

Autor de Don Juan (narrado por ele mesmo) e Perda da imagem ou através da Sierra de Gredos, ambos publicados pela Estação Liberdade, Peter Handke tem agora consagrada a sua posição como um dos maiores escritores de língua alemã em atividade. Ele tornou-se conhecido nos anos 1970 como roteirista de Wim Wenders e por obras como O medo do goleiro diante do pênaltiA mulher canhota (também filmado por ele) e Tarde de um escritor. Produto por excelência da dissolução do Império Austro-Húngaro e mais tarde da Iugoslávia (de mãe eslovena e pai austríaco), sua escrita é fortemente marcada pelo desassossego centro-europeu e das margens do Danúbio. Sua rebeldia é igualmente literária, com todo proveito para sua vasta e refinada obra.
 
Do autor, a Estação Liberdade também lançará O ensaio do maníaco dos cogumelos em novembro deste ano. 

Don Juan (narrado por ele mesmo)
Tradutora: Simone H. de Mello 
Formato: 14x21x1 cm | Páginas: 144
ISBN: 978-85-7448-133-3

Don Juan (narrado por ele mesmo), apesar do seu subtítulo, é recontado, de fato, por um cozinheiro solitário e ocioso, ávido leitor, que, um belo dia, em meio a leituras de Racine e Pascal, decide dar um basta nos livros. Sua imprevista decisão coincide com a igualmente repentina e abrupta aterrissagem de Don Juan no jardim do albergue onde ele vive, nas ruínas do monastério de Port-Royal-des-Champs, na França. Não um Don Juan qualquer, mas o próprio Don Juan, a figura legendária cujas aventuras já foram contadas e recontadas por Tirso de Molina, Zorilla, Molière, Mozart, Kierkegaard, Ortega y Gasset, Camus, e que Peter Handke decide ambientar definitivamente na contemporaneidade.



Perda da imagem ou através da Sierra de Gredos
Tradutora: Simone H. de Mello 
Formato: 16x23x2 cm | Páginas: 584
ISBN: 978-85-7448-165-4

Numa época indefinida de um século XXI já avançado, uma banqueira - "a princesa das finanças" -, que vive numa cidade portuária do noroeste europeu, pega um avião com destino à região espanhola da Mancha, que Miguel de Cervantes tornou tão famosa. De lá, dirige-se à Sierra de Gredos. Sai em busca de um escritor que contratara para narrar sua história. Depara-se com uma cidade, imaginária, cujos habitantes - uma curiosa galeria de personagens - experimentam uma perda total de imagens, idéias, ritos, sonhos, ideais e leis. Um efeito do mundo que os rodeia, no qual as mudanças climáticas são um fato, as guerras são contínuas, as sociedades se agrupam em âmbitos locais e os meios de comunicação inundam as vidas cotidianas.



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