Estação Liberdade inicia a publicações da obra de Mishima com o inédito VIDA À VENDA

Ao cabo de complexa negociação, Estação Liberdade adquire o essencial da obra do autor japonês

Ontem, 25 de novembro, completaram-se 50 anos da morte de Yukio Mishima. Nascido em Tóquio em 1925, Mishima teve uma vida curta e intensa, dedicada fervorosamente a seu ofício de artista — seus ideais estéticos, artísticos e políticos eram para ele algo indissociável de sua carne e de sua alma. Este fervor fez dele um dos mais influentes e cultuados autores do século XX.

A Estação Liberdade, que já publicou a correspondência entre Mishima e o ganhador do Nobel Yasunari Kawabata, lança agora, em celebração a esta efeméride, o romance inédito Vida à venda, traduzido do japonês por Shintaro Hayashi. O livro abre a série de 7 publicações do autor que serão publicadas pela casa.

Vida à venda (Inochi Urimasu), originalmente serializado na Playboy Japão em 1968, mostra o lado surreal e ácido do autor. Após uma tentativa fracassada de suicídio, o publicitário Hanio Yamada anuncia no jornal: “Vendo minha vida. Use-a como quiser.” A partir daí, Hanio se enreda inapelavelmente nos círculos do submundo dos desiludidos e marginais da estratificada sociedade japonesa.

Com personagens bizarros, desfiando histórias dentro de histórias no esquema mise en abîme que ele maneja soberbamente, Mishima — que também foi um mestre da dramaturgia — cria uma comédia barroca carregada de horror. Emulando uma trama policial em chave satírica, o autor disseca os desejos e inseguranças da alma humana, eternamente confrontada pelo arrivismo e decadência. O livro foi um dos últimos publicados por Mishima em vida, escrito enquanto ele finalizava a sua tetralogia O mar da fertilidade.

A seguir, em março de 2021, a Estação Liberdade lançará o clássico O marinheiro que perdeu as graças do mar(Gogo no eiko) em sua primeira tradução direta do japonês, por Jefferson José Teixeira. O romance de 1963 é uma fábula sombria sobre a desumanização,encarnada em uma gangue de adolescentes e sua revolta contra a vida comum e os pactos sociais.

O lado polemista não impediu Mishima de ser protagonista na vida cultural e política de seu tempo. A crueza de seus temas e o fascínio pela ficcionalização e espetacularização de sua própria vida fazem uma figura atual,relevante e provocativa mesmo 50 anos após a sua morte.

Seu trágico suicídio foi a concretização de um descontentamento pessoal e histórico. O Japão, nos consensos políticos do pós-Segunda Guerra, era uma nação derrotada. Vendo as bombas atômicas, a americanização da cultura japonesa e a inserção do país no capitalismo globalizado, Mishima sentiu uma insatisfação que ganha força no cenário geopolítico global do século XXI.

Sobre a contratação das obras e a controversa figura de Mishima,Angel Bojadsen, diretor editorial da Estação Liberdade, comenta: "Os ares estão carregados de nacionalismos, o longevo primeiro-ministro Shinzo Abe não esteve alheio a isso: há um discurso de rearmamento, mudanças na constituição pacifista, valorização de episódios militares. Portanto Mishima me parece menos distante do mainstream agora, apesar de seu radicalismo. Em que pese eu ter minhas dificuldades com seu ideário político, para mim como editor o que prepondera é editar corretamente e divulgar um dos principais escritores japoneses do século XX, uma peça que nos faltava junto a Soseki, Tanizaki, Kawabata, Akutagawa. A negociação com os representantes do espólio apresentou certa complexidade e exigiu perseverança,mas estou satisfeito com o desfecho do ‘pacote Mishima’, que nos permite abordar a obra do autor de forma planejada e abrangente. Por sinal, desabrochou bem no momento em que fechamos outro importantíssimo autor japonês, o Prêmio Nobel Kenzaburo Oe. Portanto, continuamos a desenvolver este importante nicho em nossa programação editorial.”

Além dos dois romances citados, a Estação Liberdade também publicará o ensaio autobiográfico Sol e aço e a primeira tradução direta da tetralogia Mar da fertilidade, obra máxima de Mishima. Os quatro romances condensam as ideias do autor sobre a arte, a vida e a espiritualidade oriental, em uma trama que se estende por décadas e desnuda também a história política do Japão.No total, em notável esforço editorial, cinco destas obras estão em tradução,sendo três entregues.




Autor: Yukio Mishima
Tradução do japonês: Shintaro Hayashi
Dimensões do produto: 14x21cm
Número de páginas: 256
ISBN: 978-85-7448-314-6

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