Estação Liberdade inicia publicação dos Ensaios do Prêmio Nobel de 2019, Peter Handke
Já faz décadas que o austríaco Peter Handke tem seu nome citado como um dos mais influentes renovadores da literatura em língua alemã. Sua quebra com as correntes literárias dominantes — como o realismo do pós-Segunda Guerra, que ele acusou de padecer de uma “impotência descritiva” — abriu caminho para uma obra dramatúrgica radicalmente original e uma prosa marcada por uma experimentação linguística quase performática.

As suas incursões pelo cinema, muitas vezes em parceria com o cineasta Wim Wenders, fizeram de Handke um criador cultuado, e seus escritos se tornaram um divisor de águas na literatura contemporânea alemã. A extensa e polifônica obra de Peter Handke teve sua importância eternizada pela Academia Sueca, que concedeu a ele o Prêmio Nobel de Literatura de 2019, que louvou a engenhosidade linguística do autor e situou-o na mesma linhagem dos imortais da tradição literária alemã.

A série dos Ensaios de Handke, que começou a ser publicada em 1989, é formada por textos que mesclam memórias, reflexão e invenção literária. Na fronteira entre a autoficção e o gênero ensaístico, ele apresenta seu olhar sobre o cotidiano, tematizando também a linguagem e o tempo.



Ensaio sobre a jukebox


Em seu Ensaio sobre a jukebox, de 1990, Handke foge de qualquer cronologia linear e de processos de narrativa convencionais. Fazendo uso de sucessivas sobreposições, o autor compõe uma metafísica da escrita que deságua na leitura de uma realidade que se torna irreal de tão premeditadamente elaborada.
A busca quixotesca do protagonista pela jukebox o leva a vários lugares e períodos, suscitando referências artísticas, literárias e cinematográficas diversas, bem como meditações sobre a história e o cotidiano. A cada vez, esses movimentos representam a impossibilidade de abraçar a realidade e de fazer coincidir a vida interna com a experiência do mundo. Toda a composição da jukebox enquanto falsa protagonista serve como biombo para destrinchar a poética handkeana do cotidiano.

O autor rege a ópera mapeando estes movimentos a partir de sua escrivaninha (tendo como ferramentas apenas papel e lápis) no quarto de hotel em Soria, pequena cidade no interior da Castela espanhola. O embate entre a jukebox e a escrivaninha acaba sendo o real enredo deste ensaio em que Handke abre a caixa de Pandora de sua escrita.



Título: Ensaio sobre a jukebox
Autor: Peter Handke
Tradução: Luis S. Krausz
Formato: 14 x 19 cm / 112 páginas
ISBN: 978-85-7448-310-8
Preço: R$ 38,00


Ensaio sobre o louco por cogumelos


Publicado em 2013, o Ensaio sobre o louco por cogumelos é o fecho da série de experimentos autoficcionais de Handke, os chamados Ensaios. As obras exploram uma nova forma literária, unindo narrativa pessoal, ficção e contemplação ensaística.
Handke coloca em cena seu protagonista-escritor, que rememora a história de um amigo de infância e sua obsessão por caçar fungos, fascínio definidor em sua vida. As incursões do obcecado em busca de cogumelos são também os movimentos feitos pelo autor em direção à escrita e à apreensão de algo essencial na experiência no mundo.

O embate entre o autor e seus alter egos – o escritor, que pensa o ensaio, e o outro, o louco por cogumelos, advogado de criminosos de guerra, que o inspira – permite a Handke reger um diálogo interno, em que ele mesmo se interroga, se acusa e se defende sob os olhos do leitor.

Com seu anti-herói bufão, que eventualmente põe na corda seu emprego e sua família em nome de sua mania irrefreável, Handke emula a busca do escritor pelo senso de encantamento do cotidiano. A trilha do autor, de sua escrivaninha às margens da vida urbana contemporânea, é o que compõe a própria história.





Título: Ensaio sobre o louco por cogumelos
Autor: Peter Handke
Tradução: Augusto Rodrigues
Formato: 14 x 19 cm / 160 páginas
ISBN: 978-85-7448-278-1
Preço: R$ 44,00

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