A narrativa curta — ou mesmo brevíssima — de Yasunari Kawabata já se consolidou como um clássico do gênero. O autor atinge nestes Contos da palma da mão um grau de virtuosismo por muitos aclamado. Para isso, ele amplia com precisão microscópica o tradicional pendor japonês por pureza e delicadeza.

Sobressai, na confluência de forma e conteúdo, um despojamento minimalista que deixa nus e crus sentimentos e sensações, convergindo ora para toques de surrealismo, ora para leituras do subconsciente à maneira psicanalítica, características do movimento shinkankakuha ou neo-sensorialismo, de que o autor fazia parte. Entre muitos outros temas, especialmente prazerosos são os que põem em cena o bairro de Asakusa em Tóquio, com seu amálgama de teatros, cabarés musicais (com grande presença tanto do jazz quanto de formas teatrais japonesas clássicas) e casas de deleites carnais. A tradutora Meiko Shimon, que se especializou na obra do autor e se dedicou longamente ao estudo destes contos, manteve aqui uma criteriosa fidelidade ao mestre japonês. Quando necessário, foram inseridas notas, que um glossário complementa. 

A atual seleção abrange 122 contos, que Kawabata considerava, nos seus anos tardios, seus “contos que cabem na palma da mão”, e dos quais dizia com a candura que era de seu feitio: “ [...] Vive neles o espírito poético de meus dias jovens.” 

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Livro
Formato 21x14x2cm
ISBN 978-85-744-8137-1
Páginas 496
Sobre o autor (a) Prêmio Nobel de 1968, Yasunari Kawabata é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX. Nascido em Osaka em 1899, interessou-se por livros ainda adolescente, principalmente por clássicos do Japão, que viriam a ser uma de suas grandes inspirações. Kawabata estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi um dos fundadores da Bungei Jidai, revista literária influenciada pelo movimento modernista ocidental, em particular o surrealismo francês. Acompanhado de jovens escritores, defenderia mais tarde os ideais da corrente neossen-sorialista (shinkankakuha), que visava uma revolução nas letras japonesas e uma nova estética literária, deixando de lado o realismo em voga no Japão em prol de uma escrita lírica, impressionista, atravessada por imagens nada convencionais. Ao contrastar o ritmo harmônico da natureza e o turbilhão da avalanche sensorial, Kawabata forjou insólitas associações e metáforas táteis, visuais e auditivas que surpreendem por revelar os processos de fragilização do ser humano diante do cotidiano, numa composição surrealista de elementos da cultura e filosofia orientais, personagens acuados e cenários inóspitos. Sua obsessão pelo mundo feminino, pela sexualidade humana e pelo tema da morte (presente em sua vida desde cedo, sob a forma da perda sucessiva de todos seus familiares) renderam-lhe antológicas descrições de encontros sensuais, com toques de fantasia, rememoração, inefabilidade do desejo e tragédia pessoal. Desgastado por excesso de compromissos, doente e deprimido, Kawabata suicidou-se em 1972.
Tradutor Meiko Shimon

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