Em seu quarto romance publicado no Brasil pela Estação Liberdade, o premiado escritor assina um relato incandescente que nos faz refletir sobre a justiça e a moral, a incoerência do conceito pré-estabelecido sobre o crime e o poder modificador da culpa. Afeganistão, anos 1990. O jovem desempregado Rassul planeja um assassinato nos moldes daquele cometido por Raskólnikov, herói de Dostoiévski em Crime e castigo. O plano de eliminar a velha desprezível que humilha a namorada dele, entretanto, não sai como o previsto. Rassul acredita que o seu ato de exterminar a escória da sociedade é exemplar, mas como fazer com que esse assassinato ganhe uma dimensão única se ele passa despercebido? Como atingir o patamar dos homens de grandes feitos e entrar para a história se nem o próprio autor do crime tem certeza de ter matado nana Alia? Como dar um sentido a seu crime e, mais do que isso, à sua própria vida?
Em meio às bombas e mísseis da guerra civil, o leitor acompanha as inquietações e o cotidiano do conturbado personagem, permeado por tragadas de haxixe e delírios sobre uma mulher de tchadari azul. Acossado por seu crime, Rassul sai ao encalço de um castigo que parece não existir para ele sob essas latitudes. A narrativa evoca constantemente o romance, sempre atual, de Dostoiévski, tanto na trama quanto nas questões metafísicas abordadas na escrita despojada de Atiq Rahimi, ao mesmo tempo que funde as alucinações de Rassul à dura realidade afegã, trazendo à tona o caos de sua terra natal.

 LEIA UM TRECHO



Livro
Formato 21x14x2cm
ISBN 978-85-7448-210-1
Páginas 280
Sobre o autor (a) Atiq Rahimi nasceu em Cabul, em 1962. Estudou no colégio franco-afegão, época em que frequentou o centro cultural francês da capital afegã onde conheceu o cinema francês e encenou algumas peças dramáticas. Durante a guerra civil no início dos anos 1980, deixou o seu país e, em 1985, obteve estatuto de refugiado político na França, onde vive desde então. Formou-se em letras e estudos cinematográficos nas Universidades de Rouen e La Sorbonne Nouvelle. Apesar de também escrever em francês, sua língua literária é o dari, variação do persa falada no noroeste do Afeganistão. Ganhou com a presente obra o prêmio Fondation de France 2002. Paralelamente à carreira literária, Atiq Rahimi dirige e produz filmes documentários e de ficção. Em 2002, o autor fez uma pequena tournée para o lançamento de Terra e cinzas no Brasil, passando por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, e obtendo sucesso de crítica e de vendas (28 mil exemplares vendidos no total). Em suas visitas ao Brasil, na Bienal do Livro de São Paulo (2002), na Primavera dos Livros do Rio de Janeiro (2004), sempre teve empatia com o público, sentindo-se muito à vontade apesar da barreira linguística. Em 2004, veio para o lançamento da versão cinematográfica de Terra e cinzas, filmada por ele mesmo e pela qual foi premiado no Festival de Cannes do mesmo ano, na mostra “Um certo olhar”. Em 2005, publica Retour imaginaire, livro de fotos e poemas sobre seu reencontro com o Afeganistão.
Tradutor Marcos Flamínio Peres

Escreva um comentário

Nota: O HTML não é traduzido!
Ruim           Bom