O Pai Goriot é um verdadeiro cruza¬mento de intrigas e de personagens. Além do personagem-título descrito por Balzac, deparamo-nos com um universo que abarca desde o submundo do crime — representado por um Vautrin misterioso e tentador —, até os toucadores das damas da alta sociedade. Mas o verdadeiro protagonista da ação é Eugène de Rastignac, jovem estudante provinciano almejando sucesso na sociedade parisiense que acaba de descobrir. Trata-se com efeito de um romance de formação no sentido mais estrito da expressão: a aprendizagem da vida social na Paris do século XIX. O centro do romance se encontra, portanto, tanto nos dramas pessoais quanto no jogo das relações humanas, nas disputas pelo poder e na conquista de suas ambições, que se apresentam com uma crueza quase sem moral — ao menos para os padrões da época: “Veja, o senhor nada será se não despertar o interesse de uma mulher.

Precisará de uma jovem, rica, elegante. Mas, se tiver um sentimento verdadeiro, esconda-o como um tesouro; jamais deixe alguém desconfiar dele, pois estará per¬dido. Deixaria de ser o carrasco para tornar-se a vítima”, sugere a Rastignac a senhora de Beauséant, sua protetora. Nesse universo — “esgoto moral de Paris”, como apontaram os críticos de Balzac — a aprendizagem do jovem e ingênuo Rastignac precisa passar por diversas tentações, corrupção e até o assassinato. Balzac, precursor do romance moderno e do realismo, não pretende apenas “fazer poesia”. Seu objetivo é maior: ele busca esmiuçar a sociologia da cidade e as opções oferecidas a jovens como Rastignac na vida mundana. Por isso adverte seus leitores: “Mas que fique claro: este drama não é ficção nem romance. All is true, e é tão verdadeiro, que todos poderão reconhecer os elementos dentro de si, talvez em seu coração”.
Livro
Formato 21x14x2cm
ISBN 978-85-7448-036-7
Páginas 296
Sobre o autor (a) Honoré de Balzac nasceu na província, em Tours, em 20 de maio de 1799. Aos quinze anos, muda-se para Paris com os pais e os três irmãos. Forma-se bacharel em direito em 1819, mas acalenta o sonho de ser escritor e a esse projeto se dedica. A partir de 1822 seus primeiros romances são publicados sob diversos pseudônimos; escreve também para pequenos jornais — atividade que exercerá até 1833 — e tenta uma carreira como editor, mas logo sua empresa vai à falência, iniciando as dívidas que marcarão sua vida. Em 1829 publica, usando pela primeira vez seu próprio nome, Le dernierChouan ou laBretagne em 1800, que, sob o título definitivo de LesChouans [Os Chouans], será o primeiro romance da Comédia humana. Nesse mesmo ano, redige, entre outros, A Paz Conjugal, mais antiga das Cenas da Vida Privada, e trabalha no manuscrito que se tornará A mulher de Trinta Anos. Em 1835 lança O pai Goriot. Em 1842 é publicado o primeiro volume da Comédia humana. Em 1849, muda-se para a Ucrânia. No ano seguinte, casa-se com Evelyne Hanska, viúva do conde Hanski, sua amante desde meados da década de 30; e, de volta a Paris, morre nesse mesmo ano, no dia 18 de agosto.
Tradutor Marina Appenzeller

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