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Décimo título do escritor Prêmio Nobel Yasunari Kawabata traduzido pela Editora Estação Liberdade, A Gangue Escarlate de Asakusa é uma das raras narrativas urbanas do autor, publicada de forma episódica num jornal de Tóquio entre 1929 e 1930. Asakusa, evocado no título, refere-se ao distrito que, por muito tempo, representou o pólo de entretenimento e vida boêmia mais famoso da capital japonesa. O livro refaz a história da derrocada do bairro, cujos personagens são indigentes, jovens delinquentes, prostitutas infantis e outras dessas figuras próprias das grandes capitais. A gangue em questão é formada por jovens que vivem, e sobrevivem, em Asakusa, e que se ajudam mutuamente em pequenos delitos, oportunizados pela “máscara digna” que vestem, como a de artistas de algum tipo de espetáculo de revista, de guias turísticos e afins.

É por meio das andanças da líder Yumiko e de seus comparsas que descobrimos as agruras de suas vidas pessoais e os sonhos que, muitas vezes, a dificuldade pela sobrevivência os faz reprimir. Kawabata evoca aqui experiências biográficas, uma vez que morou no bairro quando era estudante, tendo percorrido as casas de espetáculos, conversado com as dançarinas, os sem-teto e os tipos que davam cor e sabor a Asakusa. É justamente por esse contato direto de Kawabata com a vida real e vibrante das ruelas do bairro que faz com que A Gangue Escarlate de Asakusa se insinue como um relato factual, quase jornalístico, embora o próprio autor trate de asseverar, logo nas primeiras linhas, tratar-se de uma recriação fictícia.

A profusão de personagens, o ritmo alucinante e a forma fragmentária do texto – possíveis influências do modernismo europeu – são marcas que, na produção kawabatana futura, praticamente desaparecerão. Trata-se, portanto, de um registro raro da art in progress desse escritor prolífico, conhecido pelo esmero com que costura suas tramas, característica aqui também evidenciada. A edição traz ainda ilustrações de Ota Saburo, da edição original japonesa.


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Livro
Formato 21x14x1cm
ISBN 978-85-7448-226-2
Páginas 224
Sobre o autor (a) Prêmio Nobel de 1968, Yasunari Kawabata é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX. Nascido em Osaka em 1899, interessou-se por livros ainda adolescente, principalmente por clássicos do Japão, que viriam a ser uma de suas grandes inspirações. Kawabata estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi um dos fundadores da Bungei Jidai, revista literária influenciada pelo movimento modernista ocidental, em particular o surrealismo francês. Acompanhado de jovens escritores, defenderia mais tarde os ideais da corrente neossen-sorialista (shinkankakuha), que visava uma revolução nas letras japonesas e uma nova estética literária, deixando de lado o realismo em voga no Japão em prol de uma escrita lírica, impressionista, atravessada por imagens nada convencionais. Ao contrastar o ritmo harmônico da natureza e o turbilhão da avalanche sensorial, Kawabata forjou insólitas associações e metáforas táteis, visuais e auditivas que surpreendem por revelar os processos de fragilização do ser humano diante do cotidiano, numa composição surrealista de elementos da cultura e filosofia orientais, personagens acuados e cenários inóspitos. Sua obsessão pelo mundo feminino, pela sexualidade humana e pelo tema da morte (presente em sua vida desde cedo, sob a forma da perda sucessiva de todos seus familiares) renderam-lhe antológicas descrições de encontros sensuais, com toques de fantasia, rememoração, inefabilidade do desejo e tragédia pessoal. Desgastado por excesso de compromissos, doente e deprimido, Kawabata suicidou-se em 1972.
Tradutor Meiko Shimon

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