SOBRE A OBRA

Don Juan (narrado por ele mesmo), apesar do seu subtítulo, é recontado, de fato, por um cozinheiro solitário e ocioso, ávido leitor, que, um belo dia, em meio a leituras de Racine e Pascal, decide dar um basta nos livros. Sua imprevista decisão coincide com a igualmente repentina e abrupta aterrissagem de Don Juan no jardim do albergue onde ele vive, nas ruínas do monastério de Port-Royal-des-Champs, na França. Não um Don Juan qualquer, mas o próprio Don Juan, a figura legendária cujas aventuras já foram contadas e recontadas e que Peter Handke decide ambientar definitivamente na contemporaneidade.



SOBRE O AUTOR

Hoje em dia indubitavelmente um dos maiores escritores de língua alemã, tornou-se conhecido nos anos 1970 como roteirista de Wim Wenders e por obras como O Medo do Goleiro Diante do Pênalti, A Mulher Canhota (também filmado por ele) e Tarde de Um Escritor. Produto por excelência da dissolução do Império Austro-Húngaro e mais tarde da Iugoslávia (a mãe era eslovena, o pai austríaco), sua escrita é fortemente marcada pelo desassossego centro-europeu e das margens do Danúbio. Sua rebeldia é igualmente literária, com todo proveito para sua vasta e refinada obra.