Jean-Jacques Rousseau foi um dos filósofos mais ativos e polêmicos do século XVIII. Ao lado de Montesquieu, Voltaire, Diderot e D'Alembert, participou da grande empreitada do Esclarecimento, combatendo as trevas, a ignorância e o preconceito que ainda tolhiam os homens na segunda metade daquele século. Em função das severas críticas disparadas contra a Igreja, e também contra a nascente sociedade da época em que vivia – apesar dos princípios racionais e liberais das novas forças que se organizavam, Rousseau acreditava que estas haviam falhado em promover o incremento das condições morais e materiais dos homens rumo à liberdade, felicidade e dignidade de cada um – acabou sofrendo perseguições ao longo da vida, tanto por parte de conservadores como de ateus. 

Com o objetivo de levar o público brasileiro a experimentar o impacto das idéias revolucionárias deste filósofo de Genebra, cujo pensamento continua tão atual, a Estação Liberdade traz, pela primeira vez reunidos em língua portuguesa, uma série de textos do autor sobre a religião e suas implicações nos campos da educação, da política e da moral. 

A coletânea de escritos, em sua maioria originalmente concebidos como cartas de Rousseau a amigos mas também a inimigos, demonstra a evolução do pensamento do autor de Emílio, ou Da educação e do Contrato social , assim como a inquestionável qualidade poética e literária de seus textos.
Neste volume, reacendemos a chama da polêmica envolvendo a obra de Rousseau, ao apresentar a famosa carta escrita por ele em resposta à Carta Pastoral – a qual reproduzimos na íntegra – na qual o Arcebispo de Paris condenava a leitura e a posse de Emílio , sob a alegação de destruição dos fundamentos da doutrina cristã.

Além destes dois importantes documentos, trazemos as cartas ao Sr. de Malesherbes , ambígua figura que foi protetor de Rousseau, de Diderot e dos enciclopedistas mas ao mesmo tempo Diretor da Censura, tendo participado tanto do processo de elaboração de Emílio quanto de sua proibição; as polêmicas cartas sobre a Providência, nas quais Rousseau antagoniza com Voltaire sobre a benevolência divina; as missivas nunca enviadas para sua destinatária, a amada Condessa Élisabeth-Sophie-Françoise d' Houdetot, um verdadeiro exercício de “catecismo moral”; as reflexões sobre o agnosticismo religioso nas cartas ao enigmático Senhor de Franquières; bem como uma série de pequenas reflexões e exultações a Deus e à religião.

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