Venda Cícero

Cícero (106–43 a.C.), advogado, teórico da palavra, filósofo e homem público, é conhecido por seus discursos (contra Verres, Catilina ou Clódio), por sua eloquência, que durante muito tempo serviu de modelo, por suas falas políticas (as Filípicas) e por sua participação nos últimos sobressaltos da República Romana.

Sua obra filosófica — sempre frequentada por Santo Agostinho, Erasmo, Montaigne, Gassendi e Voltaire, entre outros — é tratada, desde o início do século XIX, como uma fonte documental: lemos Cícero para encontrar os estoicos, os epicuristas e os neoacadêmicos. Ele, no entanto, tem um projeto filosófico próprio e também foi responsável por ajudar a criar e fixar o vocabulário da filosofia em latim.

No livro, Clara Auvray-Assayas procura tornar (re)conhecível o projeto filosófico que dá coerência à obra do autor latino — do Orator a Sobre a adivinhação, passando por Da República, Academica, Dos termos extremos do bem e do mal, Discussões tusculanas e Da natureza dos deuses — e abrir novas perspectivas àqueles que refletem sobre o discurso público, a política e as normas éticas impostas pelo pertencimento a uma comunidade de direito.

Para além de seu papel como historiador da Antiguidade, Cícero buscou trazer a filosofia para o centro do espaço político. Para tanto, estabeleceu as condições para restituir legitimidade ao discurso e à ação políticos: uma filosofia para o cidadão, para o homem concreto, imerso na vida pública, que tem de ordenar suas ideias e comunicá-las através de palavras capazes de convencer.


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